A geração que vai mudar o mundo

Final de ano é época de falar sobre esperança e aprendizado. E por isso é uma época da qual eu gosto muito, pois eu acredito de verdade que estamos vivendo na melhor época possível, que toda a nossa vida nos trouxe até este momento e, principalmente, que o melhor está por vir.

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Esses dias, estávamos conversando sobre o que faríamos com os 200 milhões de reais se ganhássemos na Mega Sena da Virada. Eu percebi, feliz, que muita gente mais ou menos da minha idade — minha geração — não sonha em abandonar o emprego, viver viajando ou colocar o dinheiro em um fundo para dobrá-lo em sei-lá-quantos anos. Boa parte dos meus amigos, segundo o sonho, utilizariam o dinheiro para ajudar pessoas queridas, investir em projetos socialmente importantes e garantir liberdade para perseguir sonhos pessoais sem a preocupação em manter-se bem alimentado.

Eu digo que essa é uma característica de minha geração porque lembro que ouvi coisas muito diferentes de pessoas mais velhas. Mas sei que essa experiência pessoal não quer dizer nada e que muitos vieses podem impedir que eu tenha uma visão clara desse fenômeno — e talvez esta geração não seja nem um pouco menos mesquinha do que as anteriores. Eu entendo isso. Eu não estou sendo um otimista bobo.

Mas pode ser que minha geração tenha percebido algo que nossos pais não perceberam. Talvez. E por isso meu realismo esperançoso segue forte em 2019.

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Em 2013, meu professor de Teoria do Direito, em uma das primeiras aulas, disse que ali na sala havia pessoas mais e menos inteligentes, mas que não havia nenhum gênio. Ele disse que nenhum de nós ali era gênio, nem ele; se fôssemos, não estaríamos ali.

No ensino médio, eu conheci um cara muito, muito inteligente. Ele havia estudado com bolsas de performance durante a vida inteira. Meu boletim era bom na época, mas o dele era diferente de todos os boletins do colégio. Ele tinha várias notas integrais nos bimestres. Ele simplesmente não errava em grande parte das matérias; nas que errava, errava pouco.

Mesmo assim, eu nunca havia pensado nele como gênio. Gênio é uma palavra forte. Eu sabia que ele era incrivelmente inteligente e igualmente disciplinado, mas… Gênio? Não sei.

Aí, quando esse meu professor falou que “ninguém aqui é gênio; se fosse, não estaria aqui” eu pensei nesse rapaz, que estava iniciando seus estudos em um dos melhores colleges de artes liberais dos Estados Unidos.

Hoje, ele já se formou em Economia e está fazendo doutorado.

Em Harvard.

Eu lembro que, depois do ensino médio, esse rapaz tentou levantar algumas dezenas de milhares de reais em um crowdfunding pela internet, para ajudar a custear as despesas que teria nos Estados Unidos. Na sua apresentação, ele disse que queria “estudar formas inteligentes de combater a pobreza“.

Eu acho que nunca vou me esquecer disso.

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Em janeiro de 2016, eu estava perambulando em um shopping de Curitiba e entrei em uma livraria. Numa das estantes em destaque, vi escrito na capa, embaixo da foto de um homem de braços cruzados: “Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro”.

Peguei o livro, sentei-me em uma cadeira na própria livraria e li as primeiras quarenta páginas da biografia de Elon Musk, escrita por Ashlee Vance, sem levantar a cabeça. Novamente depois de muitos anos, comprei um livro em uma livraria (e não em um sebo pela internet). Terminei de lê-lo nos dias seguintes.

Elon Musk deixou uma impressão muito forte em mim, e não só em mim. Muitos jovens adultos são inspirados pela persona de Musk: trabalhadora, sonhadora e ousada para além dos limites normais.

O objetivo não é simplesmente enriquecer: é mudar o mundo.

Pode-se dizer que seja uma “moda”, sim. Só que é uma moda boa. A grande maioria de nós, jovens adultos que sonhamos em mudar o mundo, não vai conseguir fazer nada, e vai seguir a vida como nossos pais. Mas esse espírito vai possibilitar que, coletivamente, produzamos mudanças reais que melhorarão a vida das pessoas.

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É muito animador encontrar pessoas inteligentes, disciplinadas e com grande poder de execução motivadas a fazer algo grande pela sociedade: diminuir a pobreza, curar doenças, encontrar soluções para as mudanças climáticas, fortalecer as democracias etc.

Não queremos abandonar a faculdade e passar a vida visitando todos os países do mundo — não somos mais ingênuos de pensar que isso nos faria felizes. Não queremos sentar no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar. Não queremos revistas de celebridades, televisão com 500 canais e o nome de um cara na nossa cueca. Ou calcinha.

Queremos mudar o mundo.

Este é o momento. E o melhor está por vir.

18.12.31. A geração que vai mudar o mundo TRÊS (baixa res.)

Feliz 2019!

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