Medicina, tatuagem, dor e arrependimento

Do you know what a duvet is?

***

Muitas vezes já me perguntaram por que eu deixei de estudar direito para estudar medicina, e sempre perguntam se eu não gostava do direito. Eu gostava. Não amava, mas gostava.

Eu não acho que eu serei mais feliz ou realizado ou satisfeito na vida por estar fazendo medicina do que seria se tivesse feito direito ou engenharia ou psicologia ou letras ou economia. Eu ainda gosto de discutir os aspectos normativos da sociedade, adoro a lógica crua da matemática, sou fascinado pela mente humana, não paro de escrever e sonho em trabalhar no mercado financeiro. Mas também gosto da ideia de estancar um sangramento interno mortal na barriga de um candidato à presidência, mesmo que seja o único candidato que de forma alguma eu gostaria que ganhasse.

Parece que a gente tem uma tara com isso de achar a “profissão certa” para nós. Esses dias uma colega disse que não sabia se gostava mesmo de medicina ou se queria fazer outra coisa. Eu lhe disse que isso não importava, que se preocupar com isso era narcisismo. Ela se sentiu ultrajada:

Como assim, não importa? O trabalho que eu vou realizar o resto da vida, mais uns 40 ou 50 ou 60 anos não importa? E se eu não gostar mesmo de medicina? Vou ter que continuar fazendo isso, mesmo sem gostar, o resto da vida? Preocupar-me com meu bem-estar é narcisismo?

E eu lhe disse:

19.04.10. A tatuagem, o vestibular e o arrependimento

Ops!

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8 comentários em “Medicina, tatuagem, dor e arrependimento

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  1. Nícolas Teixera Cabral, não te conheço pessoalmente , sei que podem soar palavras de uma narcisista que está apenas alimento o próprio ego , mas meu pai fez direito , também pensei em seguir o caminho dele ,algumas vezes acho que deeveria ter feito isso porquê ele ficaria feliz ,mas no final talvez realmente possamos ser melhores naquilo que amamos , melhores para mais pessoas do que nós mesmos.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Mariana! Obrigado pelo comentário.

      A questão do texto é que nós não sabemos o que nos fará feliz: nós somos péssimos em prever como nos sentiremos em relação às circunstâncias de nossa vida. Por isso, escolher estudar direito ou estudar medicina pensando se isso te fará feliz é um erro ético, segundo o argumento do texto.

      Também não é uma boa ideia fazer direito para agradar seu pai. É pior ainda, na verdade.

      Nossa busca deve ser por sentido. Felicidade é sorte.

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