Budismo, pescaria e o sentido da vida

Eu fui na casa do Pedro com a família dele semana passada, no rancho. A gente foi pescar. Ele tem uma irmã mais velha natureba, maconheira, metida a hippie. Ela é vegana e é budista. Eu não quero reforçar nenhum estereótipo, mas o que eu posso fazer? Assim que é.

A gente tava lá pescando e bebendo, mas a irmã dele tava só bebendo, porque ela é vegana e porque o pai dela estava lá e ela não fuma na frente dele. Os pais de Pedro não são hippies, tanto que o nome da irmã dele não é Ariel nem Sol, mas Juliana. Eu não quero reforçar nenhum estereótipo, mas o que eu posso fazer? Assim que é. 

A gente tava lá pescando e bebendo, e em alguns casos só bebendo, e Juliana começou a falar sobre as coisas da vida dela. Comer salada, show de reggaeton, praia, meditação. Aí ela falou pra mim que toda emoção é dor

Quê?! Toda emoção é dor. Como assim, “toda emoção é dor”? Uai, meu, toda emoção é dor; saudade é dor, alegria é dor, dor é dor.

Pedro? Eu não saquei, bro.

Segundo Juliana, o budismo ensina que toda emoção um dia se tornará dor. O amor pela esposa se transforma na tristeza da perda ou na indignação da traição, e tão maiores serão essas dores quanto maior for o amor passado. O orgulho da vitória se transforma no saudosismo do esquecimento. Tudo é dor. Se ainda não for dor, virá a ser.

Os peixes aqui no rancho têm quase um ano de idade e estão prontos para o abate. Sua maior felicidade são alguns grãos de ração uma vez ou duas por dia. Não há muita emoção e, portanto, não há muita dor. Por isso nos comovemos mais com a morte humana do que com a pisciana e a maioria das pessoas come peixes, mas não come pessoas. Não literalmente.

Contei para ela que eu li um livro budista uma vez. Chama “os quatro alguma coisa”. É de um padre budista e tal, fala de dar o seu melhor e ser impecável. The four agreements. Quê?! The four agreements, é o livro que você leu. Não é budista nem foi escrito por padre. E fala de ser impecável com sua palavra, não de ser impecável, não foi isso que ele quis dizer. 

Segundo Juliana, a voz humana é uma das forças mais poderosas do universo. Você não deve usar sua voz para falar mal dos outros, nem para rebaixar a si mesmo. A palavra deve ser usada apenas para espalhar coisas boas e construtivas e devemos pensar bem antes de falar qualquer coisa. Entendeu?

Ah, tá. Entendi.

Moleque burro da p.

Ashinoko Lake - Hakone, Japan - DSC06213.jpg

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