O perigo dos alimentos artificiais

Uma coisa que me chateia é quando alguém fala que prefere tal coisa porque “tal coisa é natural”. Isso acontece, por exemplo, quando alguém diz que “adoçante faz mal” e que “açúcar é melhor porque é natural”, o que é errado de tantas formas diferentes que eu nem sei por onde começar.

Primeiro, o açúcar é tão pouco natural quanto os outros adoçantes. Muita gente fala como se o açúcar escorresse da cana. Na verdade, o açúcar é um produto altamente industrializado, desde o plantio da cana com muito adubo “químico” até o refinamento do xarope com muito produto “químico” também.

Alguém acha de verdade que colocar um pó branco doce no café é natural? Se um homem das cavernas visse isso, o produto lhe pareceria tão estranho quanto uma televisão ou um carro.

Segundo, açúcar é péssimo para a saúde, e isso está acima de dúvida cientificamente razoável. Ele está relacionado à maior incidência de doenças graves, como diabetes, síndromes coronarianas, síndrome metabólica e esteatose hepática não alcoólica.

A diferença entre o veneno de cobra e o açúcar é que o veneno de cobra é natural e mata rápido e o açúcar é artificial e mata devagar. 

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Profissionais da área de saúde penam com esse viés de que o natural é melhor do que o artifical. Não falta quem ache que o chá de não sei o quê é melhor para tratar pneumonia do que antibiótico.

É claro que existem produtos “naturais” que podem fazer bem à saúde. Em geral, os medicamentos “artificiais” são elixires de materiais “naturais” que fazem bem, só que concentrados e às vezes modificados para terem maior eficácia ou menores efeitos colaterais.

Ou seja, o medicamento “artificial” é um produto “natural” melhorado.

E a “química” do remédio é a mesma “química” do produto natural, só que mais apurada. Ou seja, na verdade o produto artificial tem menos “química” do que o natural.

Escorpiões e veneno de cobra são naturais. Soro anti-escorpiônico e anti-ofídico são artificiais.

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Eu não quero dizer que o “artificial” é sempre melhor que o “natural”. Aguardente é “mais artificial” que cerveja, e é pior para a saúde. 

O único ponto é: não é porque algo é natural que ele é bom.

Coisas naturais: tornados, catarata, diabetes mellitus tipo 1, cavernas.

Coisas artificiais: previsão do tempo, cirurgia de catarata, insulina NPH, casas de alvenaria.

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Minha mãe costumava repetir esse lema naturalista: a natureza é perfeita.

Tem que ser muito doidão para achar de verdade que a natureza é perfeita.

No mundo natural, as mães comem os filhos mais fracos para aumentar as chances de sobrevivência dos mais fortes e dela própria. A reprodução da maioria dos mamíferos terrestres é baseada na luta corporal entre machos, sendo o prêmio da contenda o direito de estuprar as fêmeas locais. O simples fato de existirem animais carnívoros, que precisam caçar, executar e comer outros animais para sobreviver, é prova cabal de que a natureza é imperfeitíssima.

Morrer afogado é natural. Colete salva-vidas é artificial.

Evite produtos, alimentos e passatempos naturais.

19.12.30. O perigo dos alimentos artificiais

2 comentários em “O perigo dos alimentos artificiais

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