As drogas no cérebro

Nos anos 70, Raul Seixas lançou uma música sobre os pequenos aborrecimentos pelos quais passamos cotidianamente, Eu também vou reclamar. Um de seus versos dizia assim: “Dois problemas se misturam, a verdade do universo e a prestação que vai vencer”.

Essa frase encerra um aspecto muito particular dos seres humanos dentre todos os outros seres vivos: nós não nos preocupamos apenas com comida, reprodução e integridade física, a “prestação que vai vencer”; nós também queremos saber quem somos, aonde vamos e por que estamos aqui, a “verdade do universo”. Temos necessidades físicas, como todos os outros animais, mas também necessidades mentais ou espirituais que são essencialmente humanas.

Movidos por essa necessidade tão somente humana de procurar significado e explicação para o mundo, filosofamos, desenvolvemos as ciências, produzimos e consumimos arte… E usamos drogas.

Como disse Oliver Sacks, em seu “A mente assombrada”:

O ser humano tem muito em comum com outros animais — as necessidades básicas de se alimentar, beber e dormir, por exemplo —, mas há outras necessidades mentais e desejos emocionais que talvez sejam exclusivamente nossos. Viver apenas o dia presente é insuficiente para um ser humano; precisamos de transcendência, […] de significado, compreensão e explicação; precisamos enxergar padrões gerais em nossa vida. Precisamos de esperança, […] para ir além de nós mesmos, seja com telescópios e microscópios e com a nossa sempre florescente tecnologia, seja em estados de espírito que nos permitam viajar para outros mundos, transcender nosso ambiente imediato. Precisamos desse tipo de afastamento tanto quanto de algo que nos absorva na vida. 

Usadas para recreação ou de forma ritualística ou terapêutica, as drogas estiveram presentes em todas as culturas. Séculos e milênios atrás, os nativos andinos mascavam coca, os nativos amazonenses tomavam ayahuasca, os navajos usavam peiote na América do Norte e os citas faziam “sauna de maconha” na Ásia Central. E, claro, os romanos bebiam vinho.

Dia 18 de março, quarta-feira, às 12h, estaremos no anfiteatro do Bloco 8C, no campus Umuarama da UFU, para conversar um pouco sobre como as drogas agem no cérebro. O evento é organizado pela equipe da Semana Nacional do Cérebro 2020 em Uberlândia. A entrada é livre, com inscrição na hora e certificação pela PROEX.

O evento é dedicado a todos que se interessam por psicofarmacologia e drogas de abuso. O conteúdo é propedêutico, por isso não é necessário conhecimento técnico prévio. Será apenas uma curta introdução aos meios biológicos pelos quais as drogas transformam tão profundamente a consciência humana.

Eu aguardo vocês.

中國人服食鴉片圖.png
Representação ocidental do século XVIII de chineses fumando ópio.

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