Como passei em medicina na federal, IV

Este texto é uma continuação de Como passei em medicina na federal.

 

Já falamos como é fundamental que você utilize exercícios para estudar de forma mais eficiente e como você pode fazer incluir os exercícios na sua rotina de estudos. Agora vamos falar de outras técnicas importantes para otimizar seu aprendizado.

Hoje vamos focar em como organizar o estudo no tempo. Não é sobre horas de estudo, dias de estudo, descanso etc. Estude o máximo que conseguir e puder. Minhas considerações serão sobre como organizar o conteúdo no tempo.

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Não estude por blocos.

Nós aprendemos na escola a organizar o estudo por blocos. Primeiro aprendemos movimento uniforme, depois movimento uniformemente variado, depois sei lá o quê.

Isso é justificável no sentido de que precisamos aprender algumas coisas para compreendermos outras. Na medicina, aprendemos anatomia antes de aprender clínica. Mas mesmo isso não é absoluto. A tendência das faculdades de medicina no Brasil tem sido cada vez mais adiantar o contato dos alunos com a clínica. Aprendemos fisiologia concomitantemente com a semiotécnica. Assim é melhor, pois o estudo da semiotécnica reforça o que aprendemos na fisiologia, e vice-versa.

Neste vídeo, nosso mestre Bob Bee fala como o estudo intercalado é melhor do que o estudo em blocos. É melhor estudar meia hora de um assunto em quatro dias diferentes do que estudar duas horas dele de uma vez.

Ou seja, você tem que estudar um pouco de várias coisas em um dia e demorar vários dias para estudar um único tópico. 

Naquela bíblia de 55 páginas em que Dunlonky revisou dez técnicas comuns de estudo, a “prática distribuída” foi a única técnica altamente eficaz além do estudo por teste. A tabela resumindo todas as técnicas está no meu Instagram e aqui.

Distribuir o estudo no tempo é bom porque nosso cérebro se esquece muito rápido das coisas. Se você volta no mesmo assunto durante vários dias, você prolonga sua exposição ao conteúdo e facilita sua retenção.

Ao mesmo tempo, mesclar o estudo de diferentes temas também é bom porque aprender é um exercício de adaptação ao ambiente. Nosso cérebro aprende para aumentar sua chance de sobreviver. Quando você estuda um assunto em contextos diferentes (diferentes dias, em diferentes horários, intercalado com diferentes temas), é como se houvesse uma pressão maior para que você se adapte — e aprenda! 

Vamos explorar um pouco disso em outros textos ainda. Por enquanto, apenas não se esqueça de distribuir o estudo de cada tema ao longo do tempo.

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Aprenda mais esquecendo mais.

Quando você está estudando o mesmo assunto por horas, você está imerso naquele assunto, e é muito fácil para o seu cérebro se lembrar das informações que precisa. Afinal, você acabou de ver aquilo.

Mas esse não é o melhor método para aprender. Você não aprende lembrando coisas óbvias. Você aprende forçando-se a lembrar coisas difíceis. Bjork nos ensinou isso neste artigo.

Quando você tenta se lembrar de algo (por exemplo, uma fórmula que você estudou no dia anterior), mesmo que você não se lembre, isso reforça sua capacidade de acessar aquela memória. Aí você checa a informação no livro, e isso faz com que a informação fique mais acessível posteriormente. É como se o cérebro entendesse que ele precisa dar mais atenção àquela informação que se mostrou necessária, mas ele falhou em localizar.

Ou seja, esquecendo a gente aprende mais do que lembrando. Aliás, este é outro dos motivos pelos quais estudar por questões (e tentar lembrar cada conceito) é melhor do que receber a informação pronta.

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Revise desde já.

A sua revisão começa no seu segundo dia de estudo. Isso tem um pouco a ver com o estudo intercalado e a curva de esquecimento do ser humano, claro. Você não deve intercalar apenas os assuntos que ainda não esudou, você deve incluir no cronograma as revisões do que já estudou — e deve fazer isso desde seu segundo dia de estudo, revisando o que estudou no primeiro!

Eu acho que não preciso falar isso, mas vou falar… É óbvio que você vai revisar resolvendo questões. Resolvendo, comentando e anotando os conceitos que você precisava saber para acertar as questões que você errou. 

Eu pessoalmente gosto de resolver várias questões de assuntos diferentes e depois buscar os conceitos que não sabia no material teórico, em vez de fazer questão por questão e checar a teoria depois de cada erro. Assim o tempo rende mais.

A verdade é que muitas vezes eu nem volto na teoria para saber o que eu errei, eu tento entender a questão sozinho e espero vir outra parecida para ver se consigo resolver. Só consulto a teoria em último caso.

Eu tenho preguiça de teoria.

The Little Teacher.jpg

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Links das sequências:

Parte V

Parte VI

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Precisa de ajuda para passar naquela prova concorrida? Conte com a ajuda de alguém que já passou por isso. Tem um mentor bem escolhido esperando você na 99mentors.

Qualquer coisa me chama: +55 34 99141 7344.

4 comentários em “Como passei em medicina na federal, IV

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