Discorrendo riscos #1

o problema de um só horizonte

feliz o iluminador do palco
do espetáculo que é o céu.
sobre cores ele sabe de cor,
não aquele decoreba
mecânico, de robô.
aquela decoração
das fotos de meu avô,
que eu não conheci.
e que, sendo parte dele,
conheço mais do que imagino.
quanto mais sei de mim,
mais entendo o que é divino.
veja bem, então,
como continuamos:
somos frutos de elementos
que estão sempre dançando.

repara em como tudo está girando:
o planeta ao redor da estrela,
a água pela cachoeira,
elétron em volta do núcleo,
o tempo, o espaço, o mundo,
coisas que nem podemos ver
e eu, em torno de você.

mas, se até a pedra, dura que só ela,
erode, rola e se quebra,
quem sou eu para ser o que era?

só gosto da continuidade
nas águas dos oceanos
e nos nossos abraços
que, ainda assim,
vêm em ondas,
em intervalos.
conforto demais é energia jogada no ralo.

gosto de pensar no nômade e suas vantagens,
e concluo sempre que são as paisagens.
o agricultor sofre pela pobreza de cultura,
diversidade deveria ser sinônimo de cura.

adoro fotos em preto e branco.
adoro noites escuras e estreladas, no campo.
não gosto de gritos desnecessários,
a altura das montanhas me basta.
também não gosto do silêncio além do necessário,
de vazio já é suficiente o espaço.

tomem cuidado com concretos muito altos,
com fios e poluição e a velocidade do asfalto.

lembrem-se do iluminador, do céu,
do espetáculo.

meus dias mais tristes são os que eu me falto,
às vezes é como se nem tivesse vivido.

há que se ter sombras e tristezas.
há que se ter, sobretudo, pensamentos coloridos.

barão.jpg

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