A vida e o drama

Eu gosto muito dessa palavra, drama. Constantemente penso em “todo drama da nossa vida”. Às vezes esse termo dá uma impressão ruim, porque a gente fala drama pra falar de exagero, de alguém que demonstra ou que expressa mais do que a situação exige ou mais do que convém. Drama parece a supervalorização de algum sentimento.

Mas eu não gosto desse sentido da palavra. Eu gosto muito da palavra drama para falar da inconstância, da imprevisibilidade, dos movimentos ondulatórios do nosso humor e da nossa sorte. 

Vez e outra, sem aviso, nossa vida muda bruscamente, para melhor e para pior, e a gente nem sabe de onde veio o comando, quem girou o volante. É o drama da vida. O movimento ondulatório perene que comanda nossa relação com o mundo. O esfria e esquenta, afrouxa e arroja, acalma e desenquieta de Guimarães que nos requer coragem. 

O grande baque é brusco, mas seus efeitos são duradouros. O drama de uma grande surpresa nos acompanha por muito tempo, modulando nosso comportamento. É como se um elefante despencasse no seu quintal e lá ficasse, imóvel: foi um grande susto na hora, que passou; mas o elefante continua lá, e vez ou outra você se depara com ele, às vezes depois de muito tempo sem lembrar que ele existia, e ele continua te assustando, e continua modulando seu humor e seu comportamento quando você lembra que ele existe. Porque o passado existe e nunca vai deixar de existir.

Mas não são apenas movimentos bruscos. O drama da vida é constante, em maior ou menor grau. Mesmo em dias ordinários ele se apresenta nas pequenas perturbações de ordem. E esse minidrama tem um efeito gigante em nossa mente, porque somos animais muito medrosos e desesperados.

Uma das coisas mais importantes que eu já aprendi na vida (sem contar as funções básicas de ser humano enquanto animal) é que nós somos muito impressionáveis pelas perturbações imediatas, mesmo que pequenas. O presente se impõe com um peso desproporcional em nosso psicológico. Dramas menores parecem situações de vida ou morte.

Você não vai destruir sua vida profissional se mandar aquela mensagem para a pessoa errada. Perder duas horas de trabalho porque o pneu furou não vai fazer seus concorrentes te superarem. Comer chocolate um dia não vai definir seu IMC. A opinião de uma pessoa sobre uma foto não diz tanto assim sobre sua aparência. 

Da mesma forma, acertar todas as questões daquele teste não quer dizer que você vai passar no concurso. Tirar a melhor nota da sala não quer dizer que você será o melhor médico. Malhar um dia não te faz um bodybuilder. A opinião de uma pessoa sobre uma foto não diz tanto assim sobre sua aparência.

Filtre o drama do seu cotidiano. Aceite que ele venha, mas esquive-se de seus efeitos. Cultive a tranquilidade de pensar em longo prazo. Alinhe suas ações presentes a objetivos longínquos. Torne-se menos vulnerável às pequenas oscilações da vida no curto prazo, pois elas parecem gigantes, mas na verdade não são.

Jogue em longo prazo e ignore o ruído, e lembre-se que tudo é calmo e simples visto de cima.

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Um comentário em “A vida e o drama

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  1. Boa noite meu querido, tudo bem?Me encantei com esse post, maravilhoso!Passando para desejar que continue tendo muito sucesso, êxito e realizações em sua vida! Enviado do Yahoo Mail no Android

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