Minha experiência com educação digital

Um dos grandes interesses da minha vida é a educação. Acredito nela como ferramenta eficiente e sustentável de transformação pessoal e social. A escola sempre teve um papel bem central na minha vida e eu espero que continue tendo até seu fim.

Quando eu tinha uns 12 anos (2007) e gostava de fazenda, fiz meus primeiros cursos à distância, oferecidos por uma empresa de agropecuária. Fiz as lições e testes online e recebi certificados de papel pelo correio. Foi bem chique.

Eu demorei quase dez anos para voltar a fazer cursos online. Em 2015 conheci o Coursera, uma plataforma de ensino fundada em Stanford, e pouco depois conheci o edX, fundado em parceria de Harvard com o MIT. Fiz meu primeiro MOOC (massive online open course) no Coursera, The Addicted Brain, mas me apaixonei pelo edX e completei quase uma dezena de cursos lá entre 2016 e 2017.

Mas não basta estar no computador e chegar a muita gente. As vantagens dos MOOCs não se restringem à relativa facilidade de atingir um número gigante de pessoas. Eles também ganham em implementar boas práticas que aumentam o rendimento do aluno, mas que dificilmente são observadas em ambientes escolares clássicos.

O manual de criação de cursos do edX, por exemplo, orienta que as lições consistam em vídeos curtos (3-7’), intercalados com exercícios que reforcem ou testem o que foi exposto, além de outros materiais interativos: exercícios de arrastar e colar, vídeos interativos, hipertextos, salas de discussão etc. Ou seja, a própria arquitetura dos MOOCs incorpora ferramentas mais eficientes de educação, desde que as diretrizes sejam seguidas.

É um exemplo de generalização personalizável: em um nível, MIT e Harvard criam um modelo de curso e um meio de distribuição que inúmeras instituições de ensino no mundo inteiro podem usar para disponibilizar seus próprios cursos em formato digital, atingindo mais pessoas, adotando boas práticas que às vezes não eram previamente adotadas; em outro nível, a instituição cria esse curso geral com potencial de atingir milhares de pessoas a custo baixo, mas a experiência de cada aluno é mais personalizada do que seria se estivesse no próprio campus da universidade.

A digitalização da educação, ainda bem, é cada vez mais real, e a crise do coronavírus parece estar acelerando a revolução.

Em outra frente, o MedQ é uma plataforma especialmente voltada para alunos de medicina, principalmente aqueles que estão se preparando para fazer provas de residência e revalidação no Brasil. O MedQ preenche uma lacuna gigante que eu sentia desde o início da faculdade: a disponibilidade de exercícios e testes sobre medicina.

Depois do ensino médio e de dois anos estudando Direito, eu estava acostumado a fazer exercícios e essa era a base do meu estudo para temas específicos e para concursos. Na medicina, porém, a disponibilidade de provas antigas era escassa. Por isso, foi um prazer imenso descobrir o MedQ, há pouco menos de três meses. Além de disponibilizar gratuitamente milhares de questões de concursos médicos de graça, o MedQ organiza tudo por temas, dá feedback imediato, expõe o número de pessoas que acertou a questão e a porcentagem de alunos que escolheu cada opção incorreta, separa as questões em níveis de dificuldades com base na taxa de acertos, e planeja ao aluno a revisão de temas já estudados de acordo com os objetivos do aluno.

MedQ é igual dirigir dando tiro: é bom demais!

Outra iniciativa de ensino à distância que eu conheço é o Projeto Globalizando. Fui convidado para o projeto por uma amiga que já fazia parte e fiquei maravilhado de descobrir um ecossistema de jovens de 15-17 anos altamente engajados e dispostos a mudar o mundo através de projetos sociais muito bem organizados.

No meu primeiro semestre no Globalizando, dei aulas de inglês a Ana Letícia, uma adolescente de ensino médio inteligentíssima e cheia de sonhos que mora em Cágado, um distrito da cidade de São Gonçalo do Amarante, Ceará. Eu achei incrível. Este ano estou dando aula a Letícia, uma garota de 17 anos inteligentíssima e cheia de sonhos, criada em São Paulo, que agora começou a estudar Administração Pública na UNICAMP.

Olha isso! Ana Letícia, de São Gonçalo do Amarante, e Letícia, de São Paulo. E eu em Uberlândia.

A organização do Projeto Globalizando em si é formada, se me permitem a expressão, por meninos e meninas. Meninos e meninas, quase crianças (em idade cronológica) de 15-17 anos que estão fazendo um trabalho incrível, muito louvável. Não tenho números sobre o projeto, mas ele está crescendo e, considerando a evolução que vi de 2019 para 2020, eles vão crescer mais — em quantidade de pessoas e em qualidade de serviço.

É muito bom fazer parte dessas iniciativas, às vezes como aluno, às vezes como colaborador. O futuro da educação é digital e isso será muito positivo, desde que nos esforçemos para oferecer a mesma qualidade de ensino para as pequenas cidades do nordeste e para as ricas metrópoles do sudeste. O aumento da oferta de educação básica de qualidade é a melhor arma que temos contra diversos problemas sociais, desde desigualdade de renda até violência pública. E está cada vez mais fácil fazer a nossa parte, seja como aluno, seja como colaborador.

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