Indícios de subnotificação de COVID-19 em Minas

O Brasil já é o segundo país em número de casos confirmados de COVID-19 e o sexto em número de mortes pela doença. Dos países com maior incidência da doença, o Brasil é o único cujo gráfico de novos casos continua ascendente.

covid19 no mundo

No Brasil, São Paulo lidera em números de casos, com 76 mil infectados, mais que o dobro do segundo colocado, o Ceará, que tem 34 mil. Curiosamente, o segundo estado mais populoso do país, Minas Gerais, ocupa a 12ª posição em número de infectados, com “apenas” 5 mil casos confirmados. Em números relativos, Minas Gerais é o segundo estado com menor incidência, com 287 casos por um milhão de habitantes, atrás apenas do Paraná.

Isso poderia refletir um combate exemplar ao vírus, mas, vivendo no Uberlândia e tendo algum contato com pessoas de outras cidades mineiras, as medidas de distanciamento social não parecem estar sendo exemplarmente seguidas pela população. Haveria outra explicação para os números otimistas de Minas?

Recentemente, pesquisadores de Uberlândia publicaram um estudo em que analisaram evidências de subnotificação de mortes causadas pela COVID-19 em Minas Gerais. Eles encontraram a média de óbitos por síndrome respiratória aguda grave (SARS) nos últimos anos no estado e notaram um aumento de mais de 600% no número de óbitos por SARS a partir de março deste ano, quando comparado com a média dos anos anteriores, antes mesmo das primeiras mortes confirmadas por COVID-19.

gráfico covid minas

O aumento inexplicável de mortes por SARS a partir de março indica que óbitos causados pela COVID-19 não tenham sido propriamente ligados à doença.

Uma questão é que no Brasil inteiro, inclusive em Minas, o número de casos confirmados de COVID-19 tem sido bem menor do que o número de casos suspeitos — um pouco porque a definição de caso suspeito é bem ampla e certamente inclui vários casos falsos, mas também porque o Brasil testa pouca gente e os resultados demoram. Pode ser que parte dessas mortes por SARS sejam casos suspeitos de COVID-19 que ainda não foram confirmados (mas eventualmente serão), já que o Ministério da Saúde considera óbito por COVID-19 apenas casos confirmados laboratorialmente.

Por outro lado, há menos de duas semanas, Minas Gerais tinha apenas 132 óbitos suspeitos esperando confirmação laboratorial. O estudo da UFU aponta mais de 400 mortes por SARS que excedem o esperado epidemiologicamente. Ou seja, mesmo tirando os óbitos em investigação, ainda faltam 300 mortes inexplicadas por SARS.

Talvez o número de vidas ceifadas pela COVID-19 em Minas Gerais seja consideravelmente maior do que os números oficiais.

O artigo ainda não foi publicado em nenhum periódico revisado por pares.

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