All in or nothing

Quando eu saí do projeto de extensão que eu criei na faculdade, o MED Talks, algumas semanas atrás, eu reforcei um princípio que me guiava desde o começo do empreendimento, em 2019: 

Se você não quer muito estar aqui, sai. Vai embora. Rala.

Não é um mandamento que criei particularmente para o MED Talks. É algo que levo comigo para a vida:

All in or nothing.

A vida humana é muito curta e muito complexa. Precisamos escolher muito bem nossas batalhas.

***

Uma coisa que me incomodava no começo da faculdade eram as ligas acadêmicas. A gente fazia parte das ligas para ganhar horas e oportunidades de fazer coisas legais, como iniciação científica e eventos acadêmicos. Mas a maioria das ligas era sofrível: apáticas, lentas, desestimulantes.

Essa é a tendência de todas as organizações: as pessoas começam bem, mas se desmotivam e mantém cumprindo sua função apenas “por obrigação”. É uma coisa horrível.

Eu queria evitar isso ao máximo no MT. Por isso, fazia questão de repetir: se você não quer, rala.

***

Algumas pessoas achavam isso afrontoso. Alguém disse que era hipocrisia um programa que incentiva a humanização da medicina ser desumano, como eu supostamente estava sendo.

Mas eu não sei o que há de desumano em você dar liberdade total para as pessoas saírem de algo de que elas não querem muito fazer parte. Não só dar liberdade, mas incentivar isso. Pelo contrário, é uma atitude humanizadora.

Às vezes nós nos esquecemos do quanto a vida é breve e de quantas batalhas se apresentarão. Eu faço questão de lembrar, a mim e a quem está comigo.

Se você não quer muito, se você não tem tesão, vai embora.

***

Em um dos meus primeiros anos no time de handebol da Medicina UFU, a gente tinha um jogo eliminatório das Olimpíadas UFU e um dos caras mais velhos do time mandou um áudio mais ou menos assim:

“E outra, quem não tá com instinto assassino, quem não quer ser terrorista no sábado, fica em casa, não vai atrapalhar nosso time a jogar, não”.

Isso só ofende dois tipos de pessoa: quem é bobo o suficiente para encarar de forma literal as palavras “assassino” e “terrorista” e aquele que estava no time, mas sem vontade de estar lá, sem sangue nos olhos, sem tesão.

Eu sou um dos piores jogadores de handebol que você pode conhecer, mas eu tinha vontade. Não só essa vontade desmedida e irracional de gritar na hora do jogo, mas também a vontade de ir em todos os treinos e fazer minha parte para ajudar a equipe o ano inteiro.

Sem isso, não dá.

Escolha bem suas batalhas. Se você não quer, rala.

É all in or nothing.

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