Fail fast

Try again, fail again, fail better.

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A frase fail fast quer dizer erre rápido. É um lema do mundo das startups. A proposta é testar continuamente e colher feedback desses testes para melhorar o que você está fazendo. O pensamento por trás dessa estratégia seria: é melhor fazer errado e consertar depois do que tentar fazer certo de primeira.

Essa “filosofia” fail fast é típica do mundo empreendedor, mas pode ser aplicada na vida de forma geral.

No blog, por exemplo, eu já usei duas abordagens: 

  1. pensar cada texto milimetricamente, reler e revisar obsessivamente, escrever várias versões antes de publicar; ou 
  2. escrever muito, dizer o que se pretende dizer sem se preocupar em abordar todos os detalhes do assunto, e publicar muito volume.

As vantagens do segundo modus operandi incluem:

  1. publicando maior volume há maior número de visitas ao blog;
  2. mais textos é igual a mais assuntos abordados, o que é igual a mais pessoas com interesse potencial no que eu publico;
  3. publicando muito, eu corro um risco maior de publicar coisas ruins, mas corro um risco menor de não publicar coisas boas — e o resultado dessa conta é positivo, porque pensar além da conta sobre um texto não faz ele ficar muito melhor e pensar aquém da conta não faz ele ficar muito pior;
  4. publicando mais, tenho um feedback melhor sobre quais textos meus leitores gostam mais.

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A maioria dos meus textos preferidos não são meus textos mais elogiados. Eu adoro, por exemplo, o texto sobre determinismo que escrevi em 2017, quando este blog ainda nem existia, mas ele nunca recebeu muita atenção de meus leitores. É um texto que pensei e repensei, reestruturei completamente antes de publicar, tirei parágrafos inteiros, trouxe parágrafos inteiros de outros textos etc., e no final quase ninguém gosta.

Por outro lado, este texto foi escrito em uma tarde, depois que eu tive a ideia dele caminhando na rua. Eu tive a ideia, pensei numa estrutura, cheguei em casa e escrevi. Foi ridículo. E esse texto foi muito mais bem recebido do que outros muito mais interessantes que já publiquei aqui.

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Quando iniciamos o MED Talks este ano eu repetia isso muito para a equipe: volume. É melhor criar e publicar com consistência, mesmo que o conteúdo seja mais simples. O conteúdo simples pesca aqueles que se identificam com a proposta e, depois de fisgados, aí sim lhes apresentamos os melhores textos e conteúdos.

Mas há uma vantagem ainda maior sobre produzir com frequência e consistência: expertise. Quanto mais eu escrevo, melhor tende a ser minha redação. Escrever 20 textos razoáveis por mês vai me fazer um escritor muito melhor do que seria se publicasse um texto bom por mês apenas. E a chance de haver mais de um texto bom entre esses 20 é grande.

Meu blog não serve para ser lido. Pelo menos essa não é a função primeira dele. Ele serve para ser escrito. Estou produzindo, errando e colhendo feedback para que consiga refinar meu talento a níveis raros.

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Isso não quer dizer que eu seja descuidado ou negligente com minha escrita. De forma alguma. Eu não publico nada que eu não ache que valha a pena ser lido. E eu refino a língua a níveis máximos.

É por isso, por exemplo, que eu demorei muito para publicar em inglês aqui no blog. Eu sempre tive vontade, mas eu nunca estava satisfeito com meu nível no idioma. Ainda não estou, e eu morro de medo de publicar algo ruim. Mas tenho amigos para me ajudar.

Fail fast não quer dizer “tá mais ou menos, mas vai assim mesmo”. Fail fast quer dizer “não está perfeito, mas é o melhor que eu posso fazer agora; com o feedback que receber, vou conseguir evoluir mais rápido”.

É preciso errar rápido, errar muito e errar melhor sempre.

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