O Twitter como um diário

Minha intuição sobre as razões pelas quais usar o Twitter como uma espécie de diário talvez não seja uma boa ideia.

Eu escrevi há alguns dias que usar o Twitter como diário não seria uma boa ideia e que eu escreveria sobre isso em breve no blog. Ontem uma amiga e leitora me cobrou esse texto. Eu não pretendia falar sobre isso agora, mas vou atender à cobrança.

Há pelo menos duas razões importantes pelas quais eu digo que usar o Twitter como diário não é uma boa ideia. Uma delas tem a ver com privacidade. Mas a principal razão que eu tenho em mente é o limite de 140 (ou 280) caracteres.

Até onde eu sei, escrever sobre sua vida, suas impressões dela, suas angústias passadas, seus sentimentos presentes e seus desejos futuros é eficiente tanto no sentido de ajudar no “desenvolvimento pessoal” em geral quanto no sentido de ser terapêutico. Isso vem tanto de minha experiência comigo próprio e de amigos que mantêm diários, como de pesquisadores importantes como Jordan Peterson, que diz que “se memórias passadas ainda lhe fazem chorar, escreva-as de forma cuidadosa e completa”.

Peterson inclusive tem um programa que estimula e orienta que pessoas escrevam sobre coisas passadas mal resolvidas, ou sobre si mesmo no presente, ou sobre ambições e projetos para o futuro. O professor sempre fala com orgulho que esse programa diminuiu a taxa de evasão escolar dos alunos que o fizeram, num exemplo de que ele é eficaz em melhorar certos indicadores de “sucesso na vida”.

Eu nunca pesquisei especificamente sobre os efeitos de se manter um diário sobre a saúde psicológica, mas parece ser algo bem demonstrado. Escrever de forma cuidadosa e dedicada sobre coisas do passado que ainda lhe afligem é terapêutico.

Mas é impossível fazer isso em 140 (ou 280) caracteres. Resumir sentimentos e pensamentos nesse espaço tão curto apenas resultará em leviandade e frivolidade. Simplesmente não há espaço suficiente para fazer uma reflexão séria e valorosa sobre sua vida.

Eu sei que a grande maioria das pessoas não está preocupada com isso a maior parte do tempo. Elas tuítam por diversão, para se comunicar, para rir e fazer rir, e não para refletir profundamente sobre suas vidas. Mas eu vi diversas vezes tratarem o Twitter como se fosse um local de meditação acerca de si próprio e vi pessoas dizerem que o Twitter serve como se fosse um diário. E isso é uma ideia ruim se for realmente levada a sério.

Frases curtas têm seu lugar e não devem ser menosprezadas. Mas elas devem ser resultado da simplificação de discursos mais complexos e bem pensados. Jogar pensamentos soltos em 140 caracteres não é terapêutico nem produtivo.

Não que tuítes precisem ser produtivos. Não precisam. Mas se você está angustiado e precisa desabafar, se você tem uma memória mal interpretada que deseja rever, se você tem uma visão de futuro que precisa realizar, não use 140 caracteres para fazer isso e considerar que a reflexão foi feita. Em vez disso, sente-se, tire alguns minutos, e desenvolva seu pensamento no papel de forma cuidadosa e completa.

É assim que se começa um diário.

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