Cigarro não faz mal

Por décadas, o cigarro foi injustamente culpado por inúmeras doenças mortais que afetam a nossa sociedade. O tabaco é uma das drogas mais bem quistas pela humanidade e é legitimamente americana, ao contrário da cannabis e do ópio asiáticos. A fumaça do tabaco tem uma história milenar, sendo tradicionalmente usada para selar a paz entre tribos ameríndias e para ajudar sacerdotes no contato com o divino.

Já no século XX, o cigarro ainda era usado para tratar doenças respiratórias, suprimir o apetite e melhorar o humor. A fumaça de cigarros e de charutos é o acompanhamento perfeito para conversas interessantes, amigáveis e inteligentes. Freud amava charutos. Michael Jordan também.

Infelizmente, nos últimos anos o cigarro foi rebaixado de substância divina a praga mortal. Hill declarou seus critérios de causalidade, cada um mais sem sentido que o outro, e de repente começaram a “descobrir” que o cigarro causava doença cardiovascular, câncer de pulmão, boca, laringe etc., doença pulmonar obstrutiva crônica, entre outras. 

O engraçado é que o tabaco é usado há milênios pelos ameríndios e há séculos pelo mundo todo e ninguém estava morrendo de câncer.

Infelizmente, nosso cigarro é vítima de uma perseguição perversa comandada pelos cientistas, principalmente europeus e estadunidenses. Precisamos resgatar o espírito milenar do tabaco, sua capacidade de nos conectar com o divino e de selar a paz, e não mais aceitar que os “pesquisadores” divulguem suas conclusões autoritárias sobre substâncias ritualísticas que eles mal conhecem.

Tabaco não faz mal.

***

Faz sentido? Nenhum. 

Desonesto? Muito. 

Nojento? Sim.

Criminoso? Talvez.

A grande maioria das pessoas, felizmente, encararia esse texto com grande ceticismo e não concordaria com suas premissas nem com sua conclusão. O hábito de fumar cigarro tem relação confirmada (acima da dúvida razoável) com as principais doenças que mais matam no mundo (doenças cardiovasculares e tumores). O estudo da relação entre cigarro e câncer de pulmão nos deu as bases da teoria moderna da causalidade em medicina.

Nós não temos dúvidas razoáveis de que o cigarro faz mal e seria criminoso escrever um texto sério parecido com o que eu escrevi acima. Um texto desses deveria nos dar nojo.

E é isso que eu sinto quando eu leio alguém que defende a homeopatia, a astrologia, o Myers-Briggs Type Indicator, a cloroquina para covid-19, o terraplanismo e a negação do aquecimento global.

Talvez estejamos todos errados. Talvez cigarro faça bem e astrologia seja uma forma eficaz de entender sua personalidade. Na ciência, nunca dizemos nunca. Tudo pode ser falseável. Tudo tem que ser falseável.

Mas, por tudo que sabemos, o cigarro mata, sim, e a astrologia é apenas uma literatura, um conto de fadas. E é um absurdo argumentar que cigarro faz bem e é também um absurdo argumentar que “você é assim porque é de peixes”.

Os jovens brasileiros, principalmente de esquerda, estão tendo muito contato recentemente com essa história de “negacionismo científico”, por causa das burradas do governo federal no manejo da covid-19. Todo mundo critica a negação da ciência que o governo federal promove.

Mas quem nega a ciência são vocês. Vocês fazem parte desse movimento.

A culpa é sua.

***

Agora, com licença. Vou ali fumar meu Dunhill e tomar minha dose de cloroquina profilática. Estou com uma tosse seca ultimamente, tem gente que fala que é do cigarro, mas eu vou tomar umas gotinhas de água diluída em álcool e ver se melhora. Afinal, é só ter pensamento positivo. E meu horóscopo disse que hoje será um dia cheio de desafios, mas que eu conseguirei bons resultados se perseverar naquilo que acredito.

Ele sempre acerta.

***

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7 comentários em “Cigarro não faz mal

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    1. Acho que é possível que ciência e religião sejam compatíveis quando a religião é encarada de forma metafórica e não literal. Hoje em dia, cientistas religiosos costumam olhar por esse lado. As verdades religiosas acabam ficando no campo da moralidade, enquanto os fatos do mundo são desvendados pela ciência.

      Então você pode ser religioso e científico ao mesmo tempo. A questão do aborto é um bom exemplo: é perfeitamente razoável defender que o início da vida ocorre na concepção (este é o ponto de vista cristão), ou na nidação, ou após o desenvolvimento de um SNC. Você pode apoiar a moralidade das religiões sobre a ciência. Pelo menos em grande parte das vezes.

      Há quem pense que podemos derivar valores morais “verdadeiros” dos fatos sobre o mundo que a ciência revela a nós. Sam Harris é um grande exemplo. Neste caso, a “verdade moral” da ciência poderia ser diferente da verdade moral religiosa. Mas nós estamos muito longe de uma verdade moral científica, de forma que não dá para dizer que quem defende uma verdade moral religiosa esteja negando a ciência. De fato, nem sabemos se é possível derivar essa moral “verdadeira” dos fatos científicos.

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