Música da semana #12

Música

Só se não for brasileiro nessa hora

Autoria

Luiz Galvão e Moraes Moreira

Melhor verso

Para carro, para tudo, quando já não há tempo/ Para apito, para grito, e o menino deixa a vida pela bola/ Só se não for brasileiro nessa hora!

Meus dois centavos

Eu tenho a impressão de que nós conhecemos muito mais as bandas de rock dos anos 80 (Legião, Barão, Paralamas, Blitz) do que as bandas que vieram antes, inclusive os Novos Baianos. Não que eles não sejam bem conhecidos, claro, mas são menos do que deveriam. Eu acho.

A história dos Novos Baianos é incrível. Um grupo de hippies bichos-grilos que saíram da Bahia para tentar o sucesso musical no Rio de Janeiro. Cansados de bater de frente com a caretice da cidade, mudaram-se para um sítio em Jacarepaguá, onde viviam isolados, tocando música e jogando futebol. Cabeludos e drogados, materializavam o estilo hippie, e até o dinheiro dos shows era comunitário, deixado numa sacola ao alcance de todos, para quem precisasse usar.

Foi nesse cenário, inspirados por Jimi Hendrix e pela Tropicália, mentorados pelo grande João Gilberto e graças à aposta de João Araújo, que os Novos Baianos gravaram o álbum Acabou Chorare, considerado o melhor álbum de música brasileira de todos os tempos pela Rolling Stone do Brasil — e com razão.

Depois do Acabou Chorare, lançaram o Novos Baianos F. C., um álbum mais carregado de rock e menos carregado de música brasileira do que o álbum anterior. O nome denuncia a grande paixão do grupo, tão grande quanto a própria música: o futebol. Os Novos Baianos se consideravam um time de futebol, assim como eram uma banda. E o disco abre com essa ode ao esporte-símbolo do Brasil: Só se não for brasileiro nessa hora.

Quando eu tinha sete anos, estava jogando futebol na rua, na frente da casa da minha avó, e fui atropelado por uma moto. Foi feio, tive que ir para o hospital, desacordado, e levei 15 pontos na costela (imagina isso em um menino de uns 25 quilos). Minha mãe achou que eu ia morrer, e não só ela. Mas não morri.

Esta poderia ser uma história de uma paixão ardente de um garoto por futebol, que cresceu e se tornou um craque. Nada mais enganoso que isso. Eu nunca gostei de futebol e eu sempre fui péssimo nele.

Mas gosto de Novos Baianos e, apesar de ser sofrível no esporte, essa música conta uma história real da minha vida: para apito, para grito, e o menino deixa a vida pela bola.

Só se não for brasileiro nessa hora.

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