Masturbação é melhor que sexo: comentário sobre o sentido da vida

Acreditem se quiser, eu me incomodo de colocar esses títulos de conteúdo saliente e polêmico, principalmente quando a linguagem também é de alguma forma profana ou sensível. E não apenas nos títulos, mas também no texto em si: acreditem se quiser, eu não me sinto bem em publicar poemas obscenos e crônicas nojentas. Porém, faz parte do meu ofício.

Mas o título tem uma razão legítima. Eu não comecei a escrever este texto pensando em sexo. Era pra ser sobre o sentido da vida. Na verdade, ainda é sobre o sentido da vida. Mas com um pouquinho de sexo também.

O sentido da vida

Mesmo que não pensem nisso, todas as pessoas têm em si algo que podemos chamar de “sentido da vida”: sua motivação mais fundamental para fazer tudo o que se faz. Para algumas pessoas, o motivo maior é se divertir: afinal, a vida é uma louca viagem da qual você nunca sairá vivo. Para outros, é ter, nutrir e desenvolver uma família. Para a maior parte das pessoas a quem perguntei, pelo menos conscientemente, o maior objetivo é ser feliz. Para alguns outros, é seguir os passos de Jesus.

Às vezes, ter uma ideia específica e bem elaborada de qual é a sua razão última para viver pode ser útil. Ela pode lhe motivar quando as coisas estão indo por um caminho desagradável e, nos casos mais extremos, ser a sua única razão para continuar.

No livro Em busca de sentido, um dos meus preferidos, o psiquiatra vienense Viktor Frankl conta a estória de um paciente que estava em profunda depressão, depois de ter perdido sua família no holocausto germânico (o que também aconteceu a Viktor!). Frankl tenta ajudá-lo dizendo que ele os encontraria no paraíso, e essa sugestão faz o paciente desabar em lágrimas. Segundo a religião dele, seus filhos puros teriam ido para um paraíso inacessível a ele, um homem inevitavelmente pecador. Ele não vê saída para seu desconsolo, senão a própria morte.

Viktor então lhe propõe que, talvez, seu sofrimento fosse sua própria razão de viver. Talvez ele estivesse passando por tal tormento exatamente para, no fim da vida, ser finalmente digno de ir para o paraíso e reencontrar seus filhos.

Assim, algumas pessoas encontram razão para viver no próprio sofrimento da vida.

Tristeza não tem fim

Eu acredito que a vida seja essencialmente sofrimento, mas não daquela forma schopenhaueriana pessimista que faz a gente achar que ela não vale a pena. Eu acho que todos os seres vivos são focos de vontade que lutam contra um inimigo inevitavelmente maior do que qualquer um deles (e do que todos eles unidos, também), e que esse é um combate no qual vale a pena tomar parte.

Mas no fim sempre perdemos. E nenhuma de nossas curtas vitórias, nenhum de nossos breves momentos de êxtase são tão grandiosos nem tão duradouros quanto o quase onipresente desconforto de estar vivo.

Uma das grandes ilusões humanas é a ausência de sofrimento, mais do que o êxtase em si. Em geral, não estamos dispostos a aceitar a vida como ela é, não queremos beber do doce e do amargo, indistintamente. Mais do que todo amor que houver nesta vida, queremos é a sorte de um amor tranquilo.

Mas isso simplesmente não existe.

A felicidade é fraca

Alguns meses atrás, eu tentei chegar a um pensamento simples que pudesse encerrar um objetivo de vida bom e razoável, um sentido para minha vida, e eu cheguei a este: diminuir o sofrimento desnecessário no mundo.

Como todo clichê, cada palavra desta frase foi cuidadosamente escolhida. Tem uma razão por que é “sofrimento desnecessário” e não apenas “sofrimento”. Tem uma razão para ser “no mundo” e não “da humanidade”. E tem uma razão para ser “diminuir o sofrimento” e não “aumentar a felicidade”.

E essa razão é: você provavelmente já conheceu a felicidade maior que o universo pode oferecer. A não ser que sua vida seja particularmente miserável, você já experimentou os maiores níveis de prazer e bem estar que você é capaz de sentir. Seja ganhando dinheiro ou cheirando cocaína.

Por exemplo, pense na sua vida sexual (se não for doloroso demais).

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