15 fatos sobre os psicopatas

1. Antes de mais nada, é importante deixar claro: psicótico e psicopata são palavras um pouco parecidas, mas de significados bem distintos. Psicose, além de ser o nome da bateria falida da Medicina UFMG, é uma síndrome caracterizada pela perda profunda do contato com a realidade, com sintomas como delírios, alucinações, comportamento errante, discurso sem sentido etc. Por outro lado, psicopatia é um nome popular para o transtorno de personalidade antissocial, caracterizado por um padrão de comportamentos irresponsáveis e desrepeitosos, pouca estima pelos sentimentos alheios e ausência de sentimento de culpa.

2. Há pessoas que diferenciam os termos psicopata e sociopata e que distinguem psicopatia de transtorno de personalidade antissocial. Aqui, uso psicopatia, sociopatia e transtorno de personalidade antissocial como sinônimos, por entender que essa é a nomenclatura mais útil e subsidiada por evidências no momento atual. E porque é mais fácil.

3. Crianças que mentem, roubam, intimidam, destroem bens, agem com crueldade e invadem propriedades alheias de forma sistemática podem ser diagnosticados com transtorno da conduta. Esse diagnóstico é uma espécie de precursor do transtorno de personalidade antissocial (que só pode ser diagnosticado em adultos). 

4. Estima-se que quase 5% da população preencha critérios para diagnóstico de transtorno de personalidade antissocial. A prevalência nos estudos é maior entre homens, brancos, jovens, solteiros, com menos escolaridade e menor renda.

5. Alguns estudos encontram uma prevalência de 3% de psicopatas na população geral, enquanto esse número sobe para 60% entre pessoas presas. Estudos feitos na população geral podem subestimar o número real exatamente por não levar em conta indivíduos encarcerados e institucionalizados.

6. A prevalência de psicopatas nas prisões estadunidenses parece ter diminuindo ao longo das décadas. Talvez isso seja consequência das leis mais duras e do aumento do número de presos.

7. Psicopatas usam mais drogas do que a população geral. Dificilmente isso seria uma surpresa. De fato, psicopatas têm quase cinco vezes mais chances de abusar do álcool e 12 vezes mais chances de abusar de drogas do que a população geral.

8. A concordância entre gêmeos univitelinos (mesmo genoma) para psicopatia atinge 67%, o que quer dizer que dois terços dos irmãos gêmeos univitelinos de psicopatas são psicopatas também. Esse achado mostra o papel da genética no transtorno.

9. Existem estudos que correlacionam psicopatia a um polimorfismo da enzima MAO-A, a monoamina oxidase A, uma enzima responsável por “quebrar” dopamina, noradrenalina e serotonina no cérebro. Nós já falamos sobre polimorfismos de enzimas cerebrais e sua relação com doenças psiquiátricas no blog antes. As monoaminas estão sempre envolvidas nessas coisas. Esquizofrenia, depressão, bipolar, cocaína… Tudo isto tem a ver (teoricamente) com as monoaminas.

10. Suspeita-se que psicopatas sejam menos “excitados” do que a população geral, tanto mentalmente como fisicamente. Isso faz com que eles procurem estímulos mais intensos para que seu cérebro “funcione normalmente”. Parece uma teoria nada a ver, mas é fato que psicopatas possuem frequência cardíaca naturalmente mais baixa do que controles.

11. O risco de psicopatia parece ser maior entre homens que foram expostos a desnutrição durante sua gestação (ainda no útero da mãe).

12. Filhos de mães que fumam durante a gestação também parecem ter maior risco de desenvolver transtorno de personalidade antissocial.

13. Existe relação entre ser vítima de abuso na infância e desenvolver psicopatia quando adulto.

14. Aparentemente, pacientes com esquizofrenia que também se encaixam no diagnóstico de transtorno de personalidade antissocial cometem muito mais crimes do que aqueles que não se encaixam no último diagnóstico. Talvez, além de psicótico, Norman Bates fosse também psicopata. No fim, além de psicopata, Patrick Bateman talvez também fosse psicótico, né?

15. Psicopatas têm risco maior de sofrer morte prematura por acidente, suicídio, homicídio e até por diabetes.

norman bates

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