22 fatos sobre a bulimia nervosa

Definição e comparação com anorexia nervosa

1. Ao contrário do que muitos pensam, pode ser difícil fazer uma distinção clara entre bulimia nervosa e anorexia nervosa. O hábito de comer demais e depois forçar vômito é mais característico na bulimia, mas também pode estar presente na anorexia nervosa.

2. Apesar de parecidas, a maioria dos cientistas concorda que bulimia e anorexia nervosa são entidades distintas.

3. O conceito de bulimia nervosa surgiu em 1979, como uma variante da anorexia nervosa em que as pacientes eram menos magras, mais sexualmente ativas e menos tendentes à amenorreia (que era uma marca diagnóstica da anorexia nervosa na época).

4. Os elementos centrais da anorexia nervosa são: intenso medo de ganhar peso (também presente na bulimia), distorção da percepção do próprio corpo (também central na bulimia) e restrição de ingesta calórica que leva a baixo peso (isto não é necessário na bulimia). A gravidade da anorexia nervosa é determinada pelo estado nutricional do paciente. Por outro lado, os elementos centrais da bulimia nervosa, além do medo de ganhar peso e da distorção perceptiva, são: episódios recorrentes de superconsumo calórico, intercalados com comportamentos compensatórios compulsivos (vômitos autoforçados, uso de laxantes, atividade física extenuante), que ocorrem pelo menos uma vez por semana por três meses. A gravidade da bulimia é definida pela frequência e gravidade dos comportamentos compensatórios compulsivos.

5. A maior parte dos pacientes com bulimia tem peso corporal dentro do limite normal, ao contrário dos pacientes com anorexia nervosa.

6. Uma refeição “normal” tem cerca de 850 quilocalorias. Pacientes com bulimia podem consumir até 4.500 quilocalorias em um episódio de superconsumo calórico (binge eating).

Epidemiologia e comorbidades

7. A prevalência de bulimia nervosa entre mulheres é três vezes maior do que entre homens. 

8. Pacientes com anorexia nervosa e bulimia nervosa apresentam indícios de déficit de regulação emocional.

9. Aproximadamente 50% dos pacientes com bulimia apresentam depressão unipolar em algum momento da vida, enquanto na população geral esse número se aproxima de 20 por cento.

10. As chances de um paciente com bulimia ser ou ter sido tabagista durante a vida são o dobro das chances da população geral.

11. Trauma na infância é um fator de risco para bulimia nervosa e outros transtornos alimentares.

Prognóstico e curso da doença

12. Cerca de 30% dos pacientes deste estudo continuaram preenchendo critérios para bulimia nervosa depois de 10 anos de seguimento.

13. Quase um terço dos pacientes com bulimia nervosa tratados voltam a apresentar sintomas menos de seis meses depois da recuperação.

14. A mortalidade por todas as causas em pacientes jovens com transtornos alimentares é maior do que a mortalidade por todas as causas da depressão unipolar e do transtorno de humor bipolar.

Tratamento: terapia e farmácia

15. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) e o uso de antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina são os dois principais tratamentos para bulimia nervosa. O combo TCC e farmacoterapia é mais eficaz do que qualquer uma das duas por si só.

16. Além da terapia e da farmácia, o tratamento multidisciplinar busca reabilitar nutricionalmente o paciente e restaurar seu padrão alimentar, estabelecendo (idealmente) três refeições e dois lanches diários.

17. Vários antidepressivos sozinhos (monoterapia sem TCC) funcionam para tratar a bulimia nervosa, mas têm índices de abandono do tratamento mais altos. Se TCC e reabilitação nutricional não estiverem disponíveis, o tratamento apenas farmacológico deve ser iniciado mesmo assim.

18. A primeira opção farmacológica é a fluoxetina. A segunda opção é algum outro antidepressivo inibidor da recaptação de serotonina, como o citalopram ou a sertralina. A terceira opção é um antidepressivo tricíclico, como a nortriptilina, ou um inibidor da enzima MAO. Eles devem ser mantidos por cerca de 6-12 meses.

19. Antidepressivos podem se associar com algum ganho de peso, e isso deve ser discutido com o paciente.

20. Os índices de remissão com a psicoterapia sozinha são maiores do que com a farmacoterapia sozinha.

21. A terapia cognitivo-comportamental é o tratamento de primeira linha para bulimia nervosa.

22. A psicoterapia interpessoal também tem efeito no tratamento da bulimia, mas é inferior à TCC.

Bulimia

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