Não preciso de p** grande pra ser sucesso na mágica

O Insaciável Gerardi

Em 2016, o Porta dos Fundos lançou no YouTube esse especial chamado O Grande Gonzalez, que é uma das minhas produções de comédia preferidas.

O segundo episódio da série é focado no Insaciável Gerardi, personagem encarnado por Gregório Duvivier. O nome do personagem é inspirado em um ilusionista de verdade, chamado Gerardi Pereira, que cordialmente permitiu que usassem sua alcunha na série, apesar de todas os aspectos ridículos e politicamente incorretos do Insaciável Gerardi, começando pelo seu nome artístico fictício.

Em uma cena memorável desse episódio, cansado de ser alvo de chacota por causa do tamanho do seu órgão sexual, Gerardi nos presenteia com este belo discurso motivacional:

Ah, “tem p*u pequeno”, essa é sua piada? Tenho, f*da-se. F*da-se, nunca precisei de pau grande para ser um sucesso na mágica. Com meu p*u pequeno eu faço o show que eu quiser, eu emociono essa criançada toda. Vou fazer o melhor show, mais inesquecível da p*rra do teu filho com a p*rra do meu p*u pequeno, e f*da-se.

Curiosamente, Gerardi Pereira, o Gerardi da vida real, atualmente trabalha como palestrante motivacional.

A confiança de Gary Vee

Hoje eu acordei (não tão) cedo para correr e assisti este vídeo de Gary Vee quando estava saindo de casa.

Nesse vídeo, Gary fala sobre como ele era confiante quando era jovem, e não apenas confiante no sentido de acreditar no que faz, mas tão confiante a ponto de parecer arrogante e dizer que não tomaria conselhos de ninguém, nem dos seus pais, nem de Elon Musk, nem de Warren Buffett.

Essa autoestima da qual Gary fala é perceptível em seu conteúdo público e em sua trajetória profissional e pessoal. É claro que nós não sabemos o que se passa dentro de sua cabeça e é bem possível que ele tenha suas inseguranças também, por mais que consiga controlá-las. Afinal, pessoas que têm tudo e sabem tudo simplesmente não existem.

Mas Gary realmente demonstra muita confiança e self-reliance, esse termo de Ralph Waldo Emerson que pode ser traduzido como “autossuficiência” ou “autoconfiança”, mas que na verdade denomina esse senso profundo de que você controla o próprio destino, de que você tem todas as ferramentas de que precisa para fazer o que deve ser feito e que você é forte o bastante para segurar a própria onda e para ser um porto seguro às pessoas ao seu redor.

E quando eu falo que ele demonstra essa autoconfiança eu não falo (apenas) da forma como ele se mostra nas câmeras. Eu falo do que ele conquistou com suas empresas e de como ele se tornou uma personalidade de apelo global. Porque você precisa de confiança para fazer isso. Você precisa acreditar em si mesmo e acreditar no que está fazendo.

Ser impecável com sua palavra

Há alguns dias eu falei desse livro de Don Miguel Ruiz, Os Quatro Acordos, em que ele traz o mandamento: seja impecável com a sua palavra.

Ser impecável com sua palavra é, entre outras coisas, não dizer nem fazer coisas em que não acredita. Quando você é desonesto consigo mesmo, quando você tenta se enganar, você cria uma rachadura na sua persona que o deixa fraco. Por outro lado, quando você é honesto, por mais que isso seja difícil às vezes, você mantém sua unidade e isso lhe fortalece.

Isso acontece, por exemplo, quando você decide que não vai malhar “porque estou cansado”, mesmo sabendo que na verdade é só preguiça. Se você tem o compromisso de malhar todos os dias e você quebra esse compromisso por preguiça, você perde a confiança em si mesmo: você se racha.

E é útil pensar nisso dessa forma mesmo: a nossa unidade, o fato de você ser uma pessoa e eu ser outra, é uma ilusão. Uma ilusão não no sentido de que é absolutamente errado, mas no sentido de que é uma construção da nossa mente, uma forma de ver o mundo que parece fazer sentido (e faz, em alguns contextos!).

Mas você também pode pensar que há divisões dentro de você. Há uma parte do seu cérebro que quer tomar sorvete e outra que quer emagrecer, tem um ratinho alucinado que quer ganhar a todo custo e um bicho-preguiça que só quer deitar na rede e ser feliz. E nós somos todos eles, enquanto somos apenas um.

Inclusive, saindo um pouco do assunto, isso também vale em um nível maior. Como sociedade, não somos homogêneos. Somos pessoas que querem ensino básico de qualidade para todos, enquanto também somos pessoas que querem ensino superior gratuito. E precisamos saber administrar esses desejos conflitantes, sempre assumindo que os bons são maioria, mesmo quando têm opiniões divergentes.

Nossas inadequações vergonhosas

Digredi. Vamos voltar ao assunto.

Ser impecável com sua palavra, então, significa administrar esses desejos conflitantes. Por mais que você queira, você não pode matar o bicho-preguiça dentro de você. Mas você pode domá-lo e fazê-lo trabalhar a seu favor.

Se você não faz isso, você falta a academia por preguiça, e seu ratinho alucinado vai ficar muito grilado. E isso cria uma rachadura interna que lhe deixa mais fraco. E isso é ruim.

Da mesma forma, quando você foca em seus defeitos (ou nos defeitos dos outros), você também cria rachaduras internas. É como se, dentro de uma empresa, um funcionário focasse em falar mal do outro: isso só cria conflito e ressentimento.

Igualmente, quando você foca em seus defeitos de forma destrutiva, você cria uma nuvem de ressentimento e insegurança que não se restringe àquele defeito. Quando uma parte de sua mente se culpa por ser gordo demais, feio demais, fraco demais, covarde demais, irresponsável demais, indisciplinado demais etc., a sua unidade racha e enfraquece. E isso é ruim.

Qual é a solução? Focar muito no seu grande propósito e nas suas qualidades como ferramentas que transformarão sua visão em realidade.

O grande objetivo

Quando me perguntam qual é meu grande objetivo, eu costumo dizer: diminuir o sofrimento desnecessário no mundo. Esse é o foco maior e é claro que há muitos pequenos objetivos até lá. Por exemplo, eu acredito que vou ajudar o mundo tornando-me muito bom em um ofício muito difícil e raro, e depois oferecendo esse serviço de forma justa e eficiente a muitas pessoas.

E, adivinha: eu não preciso de p*u grande para diminuir o sofrimento no mundo.

Eu preciso de p*u grande para tirar onda com meus amigos com piadas de quinta série. Preciso ser magro para correr sem camisa na rua. Preciso ser forte para postar foto de praia no Instagram. Preciso ser disciplinado para correr todos os dias e ficar em primeiro no meu Nike Run Club.

Mas tudo isso é perfumaria. Eu não preciso (necessariamente) de nada disso para ser um sucesso na medicina, no casamento ou na escrita. Ninguém precisa de nada disso para ser um ótimo filho ou um ótimo pai. Ninguém precisa de p*u grande para ser um sucesso na mágica.

É claro que ser forte, magro, forte, disciplinado, ousado etc. pode ser muito bom. Nenhum ser humano atinge seu maior potencial pessoal sem fazer atividade física regular e ser bonito é uma questão ética.

O recado aqui é outro: não deixe que suas inadequações afetem sua unidade pessoal e prejudiquem sua autoconfiança. Foque no grande objetivo e faça as coisas necessárias para avançar em direção a ele.

Se você estiver realmente se esforçando para fazer algo grande que tenha valor para outras pessoas além de você, quase todo o resto se torna secundário.

grande gonzalez

2 comentários em “Não preciso de p** grande pra ser sucesso na mágica

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