Por que as pessoas gastam tanto dinheiro em terapia?

Imagino que estamos falando de terapia como em “psicoterapia”, ou seja, terapia com psicólogo.

Com base nessa assunção, respondo que a razão que justifica a decisão de “gastar dinheiro em terapia” vai depender de cada pessoa. Sendo assim, posso no máximo responder por mim mesmo.

No meu caso, a decisão de fazer terapia se deu porque em determinado ponto da minha vida, eu notei que tinha sentimentos e desejos conflitantes, que esses conflitos me causavam angústia, e entendi, depois de muita relutância, que não conseguia endereçar esses conflitos sozinho, ou com a ajuda de amigos. Foi um longo processo até conseguir admitir para mim mesmo essa incapacidade. Até então, sempre havia tido muita confiança de que não precisava de ajuda externa, e que era a única pessoa apta a resolver meus próprios conflitos. Ou seja: também achava que ir ao psicólogo era desperdício de dinheiro.

Mas isso era um erro. Até acredito que há pessoas que consigam se pacificar por conta própria, mas tenho bastante certeza, agora, de que elas constituem uma feliz minoria. Depois de ter frequentado a terapia por um período, ainda li bastante sobre o funcionamento da psiquê humana, e isso só me convenceu mais de que é quase impossível termos perspectiva suficiente para enxergar e processar adequadamente tudo o que acontece dentro da nossa própria mente.

Pessoalmente, eu acho que a terapia me ajudou a desenvolver uma nova metodologia para que eu pudesse relacionar-me de uma forma mais saudável comigo mesmo (isso soa meio estranho, mas estou certo de que vários me entenderão). Deu-me ferramentas para lidar com conflitos e angústias (inevitáveis) com menos ansiedade, entender que existem coisas que realmente estão fora do meu controle e parar de me preocupar tanto com elas. Liberar a mente do tempo em que ficava só “pensando em círculos” me permitiu concentrar-me mais naquilo que eu podia controlar, o que tornou minha vida mais produtiva – não necessariamente de um ponto de vista profissional ou de geração de riqueza ou bem estar material, mas de um ponto de vista que se poderia chamar de “espiritual”, por falta de uma palavra mais adequada.

Especificamente, abandonei uma forma de viver na qual tentava enquadrar tudo em esquemas racionais, e finalmente entendi que eu, como um ser humano normal que sou, também sou guiado primordialmente por emoções e pela intuição.

Obviamente, como não sou milionário, o custo da terapia era relevante para mim. Dessa forma, só me convenci que poderia fazê-la quando me deparei com uma terapeuta que era bem recomendada (me foi indicada por uma amiga que é psicóloga ela mesma) e, ao mesmo tempo, praticava honorários que não eram excessivamente penosos para mim.

Evidentemente, acredito que, na terapia, ocorre algo que ocorre com todos os demais serviços remunerados: na média, você recebe um serviço de qualidade compatível com o que topa pagar. No meu caso, achei que valeu bastante à pena. O período inicial foi de grandes descobertas. Depois de um tempo, comecei a achar que tinha parado de fazer progresso. A relação custo-benefício pareceu tornar-se menos favorável e acabei parando de ir. Mas não me arrependo de ter feito as sessões que fiz: muito pelo contrário. Acho que foram muito bem pagas. De vez em quando penso em voltar. Não descarto.

A terapia que fiz, segundo soube da própria terapeuta, seguia uma linha “lacaniana”. De tanto que gostei, até busquei depois informações sobre esse autor, para ver se conseguia me aprofundar no assunto, mas não tive muito êxito em montar uma lista de leitura: pelo que pude ver, as obras dele são bastante herméticas, e entendê-lo bem parece requerer uma base anterior bastante sólida. Quem sabe um dia?

dinheiro em terapia

Publicado originalmente aqui.

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