Meu diário de médico #1

Faz muito tempo que eu estava pensando em fazer algo assim. A ideia é contar um pouco sobre os pacientes que atendo no dia-a-dia, seu caso médico e seu caso não-médico. 

Espero que isto contribua para minha formação, porque é sempre bom refletir sobre a prática. Espero também que seja uma leitura quase-literária e quase-técnica para os colegas médicos e estudantes que me acompanham (que são a maioria dos que me acompanham). Para os guerreiros não-médicos que me acompanham, espero refinar minha prosa de modo que a torne proveitosa também para vocês.

Todo feedback é bem vindo.

***

Uberlândia, 10 de dezembro de 2020.

Esse paciente veio para ver exames. Ele se sentia estressado, cansado e facilmente irritado nos últimos tempos, principalmente após a inesperada morte do pai, há três anos. Seu pai, segundo ele, “era diabético, tinha sete pontes de safena, AVC, infarto”, mas morreu devido a um espinho de peixe mal engolido.

Os exames vieram quase sem alterações, exceto no perfil lipídico (colesterol alto) e nos exames de rastreio de diabetes: glicemia de jejum de 156 e hemoglobina glicada de 7,1%. Ou seja, ele tem um diagnóstico certo de diabetes mellitus tipo 2, confirmado em dois exames. A glicemia de jejum a partir de 126 indica diabetes, enquanto a glicada acima de 6,5% sela o diagnóstico. 

Ele também tinha glicosúria no exame sumário de urina (EAS), ou seja, glicose na urina. No caso do paciente, que acabou de receber um diagnóstico de diabetes, eu espero que essa glicosúria seja decorrente da doença de base. Fosse um paciente com glicemia normal, seria necessário investigar a origem dessa glicosúria sem hiperglicemia. Felizmente, não havia albuminúria, o que seria um indicativo de lesão renal pelo diabetes.

Aliás, é a glicosúria que dá ao diabetes seu nome completo, diabetes mellitus, que significa algo como “urina doce”. Dizem que desde a Antiguidade os médicos notavam que as formigas eram particularmente atraídas à urina de alguns pacientes.

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