Por que os economistas não são ricos?

A advertência que sempre faço é: não confie muito nesta resposta, porque eu sou advogado, não economista.

Feita essa ressalva, uma forma simples de entender essa questão é substituir a profissão “economistas” por outra, do tipo, “advogados”, “médicos” ou “administradores”. A questão de fundo é que ser economista é uma profissão. Ser bem sucedido em uma profissão é complicado independentemente da profissão. Se houver uma fórmula infalível para o sucesso, pode ter certeza de que ela não é ensinada nas faculdades.

Dito isso, entendo que existe uma impressão geral de que o economista, por entender melhor o que se passa na economia, deveria estar mais preparado para enfrentar as dificuldades e, assim, “ser bem sucedido” (imagino, aqui, que o significado de “ser bem sucedido” seria “ganhar mais dinheiro que as pessoas que não são economistas”). Aí, entra em jogo entender como funciona a formação em economia, e por que o fato de ser economista não é garantia de êxito financeiro.

Corrija-me um economista se eu estiver errado, mas a economia é, na sua essência, uma ciência social. Ela pode se valer de métodos estatísticos em algumas áreas de estudo, como a econometria, mas, na essência, o objeto final de estudo do economista é o comportamento humano coletivo, no que tange à relação entre o ser humano e a riqueza (a riqueza geral, não necessariamente a individual).

Isso dito, como se sabe, o comportamento humano é, de maneira geral, bastante difícil de prever. Além disso, os efeitos das decisões dos indivíduos, quando considerados em grupos, são ainda mais complicados de prever, por ordens de magnitude.

Alguns economistas se dedicam a desenvolver modelos que permitam prever, baseado em alguns parâmetros, os efeitos que determinadas ocorrências têm na economia. Porém, qualquer pessoa que já tenha visto um modelo desses sabe que eles, por limitação reconhecida pelo próprio autor do modelo, normalmente só funcionam em condições pré-estabelecidas bastante específicas. Quer dizer: o modelo, de nascença, já tem limitações importantes. Acredito que nenhum economista sério tenha atualmente a pretensão de desenvolver um modelo capaz de prever com 100% de precisão qualquer tipo de fenômeno econômico.

A conclusão (um pouco simplista, talvez) é que nem o melhor economista terá a capacidade de tomar decisões suficientemente acertadas para ter garantia de ser “bem sucedido”.

Não obstante tudo isso, parece que, na média, ser economista é uma boa decisão do ponto de vista de êxito financeiro.

Uma reportagem da BBC relata uma pesquisa que conclui que, afora médicos, os economistas eram os que tinham a melhor remuneração dez anos após a graduação, na frente de engenheiros e advogados, p.ex. Assim, muito embora nem todo economista fique rico, pelo menos também, na média, os economistas como grupo estão longe de ser pobres, o que já diz algo sobre a utilidade da sua formação e/ou vivência profissional.

E, por observação pessoal sem qualquer valor científico, eu pessoalmente também acredito que ter conhecimentos sobre economia, embora não seja garantia de ser milionário, ajuda, pelo menos, a evitar erros básicos que os não-economistas têm uma tendência a cometer, e que prejudicam bastante suas (nossas) próprias vidas financeiras.

Publicado originalmente aqui.

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