Sintam-se todos xingados

Claramente por influência minha (rs), recentemente Julia lançou seu próprio blog. No caso dela, não é apenas uma forma de expressão pessoal, mas também a divulgação de seu trabalho recém-iniciado como psicanalista. Ela acabou de fazer um curso na área e agora está pronta para exercer seu ofício, ajudar pessoas que precisam de ajuda e, talvez mais do que tudo, aprender muito hands-on.

Ela está muito feliz de estar fazendo isso. Ela se dedicou bastante para estudar, montar o blog, planejar sua abordagem e divulgar seus serviços. E ela colocou a cara a tapa: assumiu o risco de levar porradas por estar fazendo algo que a maioria das pessoas não faz — e nem pensou em se abaixar para fora da possibilidade do soco.

Só que tem gente do círculo social dela que tem tão pouca coisa para fazer que está criticando sua força de vontade e seu brio.

Nada mais normal nem mais esperado. Sempre que qualquer pessoa tenta fazer algo diferente isso acontece. Afinal, é fácil demais escrever tweets depreciativos — difícil é montar um blog do zero, trabalhar duro ou conseguir clientes.

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Das críticas que você recebe nessa situação, 90% são de pessoas que apenas querem um motivo para criticar você. Essas pessoas vão ironizar, ridicularizar e maldizer qualquer coisa que você faça, não por causa da ação em si, mas porque têm algum problema mal resolvido com você. Apenas ignore — non ragioniam di lor, ma guarda e passa.

Do restante, 9% das críticas são de pessoas que não necessariamente têm algo pessoal contra você, mas que criticariam qualquer iniciativa de qualquer pessoa que está tentando fazer qualquer coisa além do esperado. Talvez algumas das críticas até tenham algum substrato real: são coisas em que realmente você pode melhorar. Então você poderia escolher fazer o papel de alquimista e tentar separar o joio do trigo, e tirar o que é construtivo do resto da crítica. Mas ela vem de um lugar tão feio e negativo e mal intencionado, que muitas vezes nem vale a pena: é melhor ignorar tudo.

Finalmente, uma porção pequena das críticas virão de pessoas que realmente querem ajudar, fazendo sugestões baseadas em bom senso, experiência prévia e expertise em determinado assunto. Essas pessoas são anjos que você quer ter por perto. Ouça essas críticas com atenção, mas lembre-se: ninguém está nos seus sapatos. Não é porque algo deu certo para alguém que vai dar certo de novo para você. Receba os conselhos, analise-os, aplique o que for conveniente, e jogue o resto fora (numa lixeira de recicláveis, que você possa acessar de vez em quando).

Quanto às críticas maldosas, o melhor a fazer é seguir o conselho de Virgílio: olhar e passar. Não vale a pena perder seu tempo (que poderia ser usado para tentar fazer projetos legais) respondendo pessoas folgadas. Não vale a pena acusar os acusadores: apenas desvie o olhar.

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Esse texto poderia ter terminado aqui. Mas recentemente eu vi este vídeo do Gary Vee em que ele comentava exatamente sobre essas pessoas que não têm muito o que fazer e se dedicam a maldizer pessoas que estão tentando fazer coisas legais. E ele propõe uma abordagem melhor: humanidade e gentileza.

Ignorar as pessoas, como Virgílio orientou, é desumano. Talvez o melhor seja reconhecer que aquela pessoa está em um lugar muito ruim — afinal, ela está gastando o tempo dela para fazer comentários negativos sobre o trabalho de outra pessoa. Ela não precisa de ironia nem de ter as costas viradas para ela — ela só precisa de gentileza.

Mas enquanto eu não atingir esse estado de Jesus em relação às Pâmelas da vida, sintam-se todos xingados.

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