O que é masculinidade frágil?

Essa é uma pergunta muito boa. Provavelmente uma das melhores que eu já vi aqui. Porque eu já tive masculinidade frágil, eu vejo pessoas com masculinidade frágil, mas é difícil para mim colocar em palavras. Mas eu vou tentar.

Eu tenho alguns flashes da segunda e da terceira série, quando eu tinha meus coleguinhas e pensava:

“Fulaninha é bonitinha. Eu vou namorar ela se eu gostar de meninas. Fulaninho é bonitinho, eu vou namorar ele se eu gostar de meninos.”

Eu devia ter uns 8 anos. Por motivos de desavença familiar, eu não via meus primos mais velhos. E meu pai era bem ausente. Então até os 10, 11 anos eu vivi num ambiente sem muita testosterona. Mas eu sabia que gostava de mulheres. Porque eu vi as meninas falando do Leonardo DiCaprio e Brad Pitt mostrando eles na capa dos cadernos. E eu não entendia como elas achavam eles bonitos.

Foi só depois de muita aula de religião (eu estudei em uma escola menonita) e muita ideologia machista da sociedade impregnando minha cabeça que eu desenvolvi uma masculinidade frágil. Porque Deus não gosta de homem que gosta de outro homem. Homem que namora outro homem pega AIDS e morre igual ao Freddie Mercury. Homem que gosta de outro homem vai sofrer eternamente no inferno. Homem que gosta de outro homem usa drogas e morre miserável.

A idéia de ser homossexual se tornou algo tão absurdo quanto jogar um tijolo na cabeça da mãe. Pior que isso. Pois ela iria preferir levar uma tijolada a ver seu filho sujo num beco morrendo de overdose.

Então não podia se encostar. Não podia gostar de poesia. Não podia gostar de vermelho ou roxo. Essas são cores de menina. Não podia andar com meninas. Não podia gostar de vôlei. Isso também é esporte de menina.

Eu não tinha internet ADSL na minha adolescência. Só internet discada. Mas eu tinha um amigo “playboy” que tinha. Então era ele que tinha que baixar pornografia e gravar no CD pra mim. Eu lembro de pedir só pornô lésbico e solo (quando a mulher se masturba com a mão ou com um “consolo”). Porque eu não queria correr o risco de ver um pênis e me tornar um homossexual.

Foi só mais pro final do ensino médio, no vestiário da aula de natação, que eu descobri que olhar para outros pintos não me transformava em homossexual.

E depois que eu comecei a conhecer homossexuais na universidade, eu descobri que eles podiam ser mais caretas do que eu. Além de alguns que eram profundamente católicos.

E foi assim que eu deixei de ter masculinidade frágil. Aceitando que tem homens que gostam de outros homens. Homens que gostam de homens e mulheres. Homens que são mulheres em corpo de homens. E por aí vai.

Pode abraçar outros homens, pode usar camisa cor salmão, pode usar cabelo comprido, pode dançar e rebolar. Pode até mexer no peru dos outros homens, como os urologistas fazem. Se o cara é hetero, ele é hetero. Nada vai mudar isso.

***

Texto original aqui.

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