Lumena e os perversos na área da saúde

Desde a minha graduação em Psicologia esbarrei em cada colega que, caramba, às vezes me fazia pensar Essa pessoa vai cuidar / cuida da saúde mental dos outros?”. Não contarei casos porque vocês achariam que estou inventando. Psicólogo também é gente (apesar de não parecer às vezes, hehehe), e tem de todo tipo, viu? Tem os muito sábios e felizes, e tem os que cheiram cocaína , vão atender o paciente assim e acabam se engalfinhando aos socos no divã com o coitado (Opa, eu disse que não ia contar nenhum caso! Desculpem!).

Particularmente, nunca quis atuar na Clínica. Quando alguém vem me pedir algum tipo de ajuda psicológica, eu logo digo que não sei fazer isso. Desde a graduação respondo assim. Nunca quis dar uma de bem resolvido psicologicamente que paira acima dos problemas mundanos dos meros mortais. Outra coisa que nunca fiz foi analisar pessoas de graça. Sobretudo emitir “pareceres” (cof! cof!.. julgamentos… cof! cof!) sem elas terem pedido.

Pra mim essa mania de muita gente da Psicologia de analisar e julgar os outros, como se tivessem poderes mentais ou um privilégio moral, revela certos problemas psicológicos que, graças a Deus, eu nunca tive.

Me perguntam por aí, por vezes em tom de zombaria com a classe profissional inteira, que problema psicológico a psicóloga Lumena Aleluia tem. “Não sei, porque nunca analisei ela“, é minha resposta. Um tanto anticlimática, reconheço. Mas tenho algo a dizer sim sobre a forma como esse caso repercutiu.

Tenho lido ultimamente uns artigos escritos por profissionais de Psicologia repudiando o que essa tal de Lumena Aleluia faz no BBB21. Esses artigos invariavelmente dizem que psicólogo não pode julgar, que precisa ser ético, bla, bla, bla. E fica só nisso.Perdem a oportunidade de analisar mais a fundo e fazer uma auto-crítica da classe profissional.

“Opa, Alessandro, mas julgar a classe pelo que a Lumena faz?”.

Nada disso. Apontar um problema comum da classe que deu ensejo à Lumena (e tantos outros e outras) para fazer o que faz.

Vou explicar direitinho isso.. (Se a Lumena permitir).

Há pesquisas que mostram que psicopatas tendem a procurar profissões na área da Saúde. Sobretudo, a Medicina[1].

A classe profissional dos psicólogos e psicólogas passa por um problema semelhante.

É que a prática da Psicologia, sobretudo da Psicologia Clínica, dá mil oportunidades para a pessoa fazer algo que vem sendo chamado de “sinalização de virtude”. Grosso modo, isso se dá de duas maneiras:

a) Mostrando-se moralmente superior em público com discursos ensaiados. OBS: A Lumena faz isso o tempo inteiro dando “carteiradas” de que é a entendida em Psicologia e por isso os outros devem calar a boca, bem como dizendo que só ela tem legitimidade para discursar sobre causas sociais ali;

b) Apontar o dedo na cara das pessoas tidas como moralmente inferiores, e dar um sermão, analisando-as, achando mil problemas.

Ocorre que há pesquisas que apontam a correlação forte entre “sinalizar virtude” e a tríade sombria[2], formada por um pacote de comportamentos bem bizarro:

Ou seja, é bem provável que quem passa muito tempo sinalizando virtude (seja elevando a si mesmo ou diminuindo os outros) esteja escondendo sua psicopatia, narcisismo e maquiavelismo atrás de discursos bonitos e autovitimização.

O que estou dizendo é que gente que se interessa pela área da Saúde (seja Medicina, seja Psicologia Clínica), precisa ficar esperta porque nesse meio encontrarão sim muitos psicopatas enrustidos que estão pouco se lixando pro ser humano e só querem alimentar seus egos perversos às custas do sofrimento alheio.

A maneira de saber quem são esses psicopatas enrustidos é essa: são os que mais defendem a si mesmos como pessoas especiais, e mais criticam (“analisam“) os outros.

No meio da Psicologia cansei de ver bullying pesadíssimo disfarçado de “análises de corredor” entre graduandos, bem como professores destruindo emocionalmente alunos porque ousaram fazer perguntas boas às quais esses professores não sabiam responder. Isso sem falar de psicólogos clínicos que faziam cada absurdo com colegas e pacientes que se eu contar vocês achariam que estou inventando…

Toda profissão que bota um ser humano em posição de poder sobre pacientes fragilizados funciona como ímã para gente perversa. Fiquem espertos! E nunca vi essa questão ser pontuada, nem de leve, como alarme para o grande público.

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