Elvis Presley in the army

Em 1956, Elvis Presley fez 20 anos e, por força desse evento, tornou-se elegível para o serviço militar estadunidense — o qual ele deveria prestar mesmo contra sua vontade, caso convocado, assim como acontece aqui no Brasil. 

A princípio, é claro que Elvis Presley não queria ir. Imagine você com 20 anos, rico, mundialmente famoso, um símbolo universal de sex appeal, gastando dois anos de sua vida “batendo continência e fazendo flexão”. Pelas minhas contas, parece um negócio em que Elvis só tinha a perder. 

(Se for muito difícil imaginar você mesmo nessa situação, imagine o Justin Bieber ou o Sidoka.)

Uma das “saídas” que eles pensaram foi inscrever o astro do rock nos Special Services, onde Elvis teria que cumprir um treinamento básico de poucas semanas e depois se spresentar (de graça) para os militares, algumas vezes por ano. Afinal, nem só de rifles e baionetas vivem os militares, and they could use a little rock around the clock.

Acontece que o agente do rockeiro rebolador não gostava da ideia de Elvis se apresentando de graça aos militares, e muito menos de ver as gravações desses shows sendo transmitidos em televisões no mundo todo, com todos os royalties indo para as forças armadas estunidenses. Não, Elvis cantando era valioso demais, e os militares não teriam nada disso. Farinha pouca, meu pilão primeiro. Mesmo Elvis sendo farinha pra car***o. 

E foi assim que Elvis, o dono do mundo naquele momento, talvez atrás de Hugh Hefner e Frank Sinatra (questão disputada), tornou-se um soldado. Soldado. Nem tenente, nem coronel, nem mesmo sargento. Soldado. 

É como se Evandro Mesquita deixasse a Blitz em 1983 para trabalhar pela ditadura. É como se Paulo Ricardo largasse o RPM e suas carreiras de cocaína do tamanho de lagartixas para engraxar coturnos. É como se o Dinho do Mamonas Assassinas deixasse a banda em 1995 para pintar paralelepípedos de calçada de cal branca. Absurdo.

Ironicamente, porém, a temporada militar de Elvis Presley foi boa para os negócios e para a opinião pública sobre o rei. Depois que voltou, Elvis era mais respeitado pelos estadunidenses mais velhos, que não gostavam de sua sensualidade e audácia musical, mas admiravam sua coragem de servir ao país, e as adolescentes ainda viam o sex symbol de dois anos atrás, só que mais sério e, consequentemente, mais sexy. 

Elvis Presley foi preso em uma armadilha da qual ele não conseguia sair, mas ele encarou tudo, manteve a postura e deu o seu jeito.

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