Diário de amor #2

13 de outubro de 2018. 

Hoje faz seis meses desde nosso primeiro encontro. Nada poderia estar melhor.

Provavelmente, não por muito tempo. É outro romance fadado ao fracasso. Como todos. Na melhor das hipóteses, algum de nós morre, velhinho, na companhia do outro. Mas no fim estaremos separados. 

Quando comecei a sair com ela, ela achou engraçado porque eu sempre pedia água tônica para beber. Ela odeia água tônica, e acha um absurdo eu não gostar (muito) nem de coca nem de guaraná. Acho que é um desses detalhes irrelevantes e engraçados que você lembra com carinho sempre que gosta de alguém.

Semana passada, estávamos aqui em casa e ela falou que estava preparando um jantar na casa dela, onde eu conheceria seus pais. É algo que já estávamos planejando e eu já havia até falado disso aqui. Ela contou que ia fazer risoto, e pedir uma torta, e que a mãe dela queria fazer uma carne diferente que a vó dela fazia, e tal, e aí ela disse para eu ficar tranquilo, porque ela já havia comprado “minha mamadeira”. 

Eu não entendi. Como assim, “minha mamadeira”? Aí ela me mostrou uma foto da geladeira com uma garrafa — uma garrafa! — de água tônica. 

Nós rimos, e aí eu coloquei a boca no ****inho dela e falei, “esta é minha mamadeira, nhac nhac nhac!”. 

Rimos mais e fomos dormir. 

***

Passa alguns dias e estamos no jantar. Conheço seus pais, sua irmã e seu gato, todos educados e simpáticos, menos o gato. Conversamos, bebemos e petiscos. Dali a pouco, sua mãe vem com a infame garrafa de água tônica, rindo, também achando engraçado essa particularidade de paladar. 

Eu aproveito para contar essa história que contei aqui em cima:

“Engraçado… Esses dias a gente estava lá em casa e ela falou que tinha comprado ‘minha mamadeira’. Era a água tônica. Ela ama me zoar, né? Aí eu falei…”.

Pelo canto do olho, percebi sua atenção se voltar a mim, num movimento sutil do corpo. Ela ficou tensa. Senti sua respiração mudar.

“Aí eu falei: sabe qual é minha mamadeira?”. 

Senti sua mão tocar minha coxa. Indubitavelmente nervosa. Fiz uma pausa dramática. Até o gato parecia estar me olhando. 

“Cerveja!”. Levantei minha long neck e dei um gole. 

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