O Grande Silêncio: Onde estão os extraterrestres? Parte II

Na primeira parte, escrevi uma boa quantidade de caracteres, mas fiquei apenas nas preliminares. A caracterização da Equação de Drake feita por mim foi apenas para orientar o leitor sobre o assunto. Ainda não cheguei no ponto focal que eu gostaria: o que explica o Grande Silêncio? Abaixo, colocarei algumas das explicações que já foram propostas.

Possíveis soluções para o Paradoxo de Fermi

As explicações podem ser divididas em dois tipos:

1. Não existem outras civilizações. Por quê? Dois motivos são colocados.

1.1. Nós somos os primeiros.

Pode ser que só agora o universo esteja calmo o suficiente para que a vida inteligente possa se propagar pela galáxia. Essa hipótese é respaldada pelas pesquisas de galáxias distantes que mostram frequentes bombardeamentos de raios gama nelas. Portanto, é possível que só agora a vida inteligente esteja florescendo. Isso significa que nós estamos entre as primeiras vidas inteligentes na galáxia ou somos de fato a primeira (afinal, alguém tinha que ser, e esse alguém pode muito bem ser nós).

1.2. Existe um Grande Filtro.

Esse Grande Filtro impede que civilizações interestelares surjam. É um obstáculo tão, mas tão grande para o surgimento de civilizações interestelares, que a probabilidade do surgimento de uma civilização interestelar fica muito pequena.

Para ser um candidato a Grande Filtro válido, um fenômeno tem que acontecer no máximo uma vez e depois de um grande tempo após as condições propícias para seu acontecimento já estarem presentes. Tendo isso em mente, o Grande Filtro pode ser:

a) O surgimento da vida. 

Demorou cerca de 700 milhões de anos para a vida surgir na Terra (a Terra se formou por volta de 4,5 bilhões de anos atrás e a vida surgiu 3,8 bilhões de anos atrás). Isso sugere que o surgimento da vida pode ser um raro acontecimento.

Aqui entra a Hipótese da Terra Rara: pode ser que o ambiente da Terra seja tão raro que mesmo outros planetas que estejam na zona habitável não possam dar origem à vida. Por exemplo, a Terra é o único planeta conhecido que possui um satélite tão grande em relação ao seu tamanho, o que proporciona um efeito de maré único. Talvez esse efeito de maré único seja condição necessária para o início da vida.

b) O surgimento das células complexas. 

Demorou cerca de 2,2 bilhões de anos para a vida passar do estado procarionte para o eucarionte. Também demorou cerca de 2 bilhões de anos após o surgimento da vida para que ocorresse o surgimento das mitocôndrias, que são organelas fundamentais à vida complexa.

c) A reprodução sexuada. 

Surgiram 800 milhões de anos após o surgimento das células complexas.

d) O surgimento da vida inteligente. 

Após o surgimento da vida multicelular, levou cerca de 1,5 bilhão de anos para o surgimento da primeira espécie inteligente.

e) O surgimento da vida que coloniza o espaço.

Quanto mais um evento aconteceu ao longo da história evolutiva, menores são as chances de esse evento ser o Grande Filtro. Por exemplo, a passagem da vida unicelular para a multicelular dificilmente pode ser uma candidata ao Grande Filtro, pois estima-se que tal salto ocorreu cerca de 46 vezes na Terra. Tendo isso em mente, caso encontremos vida unicelular simples em Marte ou em Europa, Titã ou Encélado (luas de Júpiter e Saturno), por exemplo, é pouco provável que o surgimento da vida seja o Grande Filtro, pois se um acontecimento ocorreu duas vezes em um mesmo sistema solar, isso indica que as chances de ele ocorrer não são tão pequenas assim. A descoberta de vida simples em Marte seria uma grande notícia científica, mas uma péssima notícia para nosso futuro, pois indicaria que (a) não é o Grande Filtro, o que aumentaria a probabilidade de nós não termos passado por ele ainda.

Se encontrarmos vida organizada complexa em outro planeta (contendo células com núcleo, organelas, etc.) as chances de nós já termos passado pelo Grande Filtro são menores ainda. Se encontrarmos resquícios de civilizações destruídas, então certamente essa será a pior notícia já veiculada na história da humanidade, pois sugerirá que é praticamente certo que o Grande Filtro está a nossa frente. Neste sentido, no news is good news.

Enfim, se o Filtro estiver entre (a) e (d), nós já passamos por ele. Sendo assim, somos extremamente sortudos e, se fizermos tudo certinho, nosso destino será a colonização completa do nosso grupo local de galáxias (a colonização completa do universo, até onde se sabe, é impossível graças à energia escura — este vídeo explica isso de maneira didática). Iremos desfrutar até o final dos tempos de uma civilização complexa que hoje não podemos nem começar a imaginar como será.

Porém, se o Filtro estiver em (e), ainda estamos por encontrá-lo. Nesse caso, temos um futuro sombrio pela frente: quase certamente iremos nos extinguir. O que poderia ser esse Grande Filtro a nossa frente?

Bom, para algo constituir um Grande Filtro eficaz, ele deve ser uma catástrofe existencial — uma coisa que aniquilaria a vida inteligente da Terra ou reduziria permanente e drasticamente seu potencial de desenvolvimento futuro. Podemos identificar uma série de riscos existenciais potenciais: uma guerra nuclear de proporções planetárias; um microrganismo geneticamente modificado; algum desastre ambiental; algum armamento descoberto futuramente que seja de fácil fabricação e de poder destrutivo global; uma inteligência artificial superinteligente com objetivos destrutivos; experimentos de física de alta energia; um regime totalitário global permanente, tal como o retratado em Admirável Mundo Novo. Esses são apenas alguns dos riscos existenciais que foram discutidos na literatura sobre o tema. Considerando que muitos deles foram concebidos apenas nas últimas décadas, é plausível supor que existem outros riscos existenciais que nós ainda não pensamos.

É bom salientar que para que algum risco existencial constitua um Grande Filtro plausível, não é suficiente que ele tenha uma probabilidade significativa de destruir a humanidade. Em vez disso, ele deve ser de um tipo de risco que possa, com alguma plausibilidade, ser postulado como algo que destrua virtualmente todas as civilizações suficientemente avançadas. Por exemplo, desastres naturais estocásticos, como choques de asteroides e erupções supervulcânicas, apesar de terem certa probabilidade de destruírem a humanidade no futuro, são improváveis ​​candidatos ao Grande Filtro, uma vez que mesmo que destruíssem um número significativo de civilizações, esperaríamos que algumas civilizações tivessem sorte e escapassem do desastre. Portanto, o tipo mais provável de risco existencial que poderia constituir um Grande Filtro é proveniente da tecnologia. Não é exagero supor que possa haver alguma tecnologia possível que seja tal que virtualmente todas as civilizações suficientemente avançadas eventualmente a descubram e que sua descoberta invariavelmente conduza ao desastre existencial.

2. Existem outras civilizações, mas nós não as encontramos por causa de um dos seguintes motivos:

2.1. Motivos pelos quais não encontramos sinais de visita ou colonização de civilizações extraterrestres na Terra ou no Sistema Solar:

a) A viagem interestelar é inviável.

As distâncias interestelares estão em uma ordem de magnitude muito além das distâncias interplanetárias em um mesmo sistema solar. Para se ter uma ideia, se transformássemos a Terra em uma bolinha localizada no centro do nosso planeta, com Plutão localizado na superfície, a estrela mais próxima do Sol, Proxima Centauri, estaria mais distante do que Vênus.

Talvez essas distâncias gigantescas sejam um desafio insuperável a qualquer civilização na sua empreitada pela colonização da galáxia. Talvez o máximo que uma civilização consiga colonizar seja seu sistema solar – nada além disso.

Mas é difícil pensar que esse seja o caso. Mesmo que existam desafios enormes à viagem interestelar, dado tempo e tecnologia suficientes, é provável que tais desafios não sejam insuperáveis.

Isso porque soluções teóricas bem engenhosas para o problema da viagem interestelar já foram descritas, indo desde a possibilidade de espaçonaves que usam fusão nuclear como forma de propulsão até espaçonaves que usam anti-matéria (para um resumo sobre o assunto, veja o capítulo “Interstellar Travel: A Review”, de “Extraterrestrials — Where Are They”). Apesar dessas soluções serem apenas conjecturas no momento, dado o histórico de avanço tecnológico da humanidade, não é nenhum exagero pensar que algumas dessas construções teóricas se tornem construções reais no futuro.

b) Eles passaram por aqui, mas o fizeram em uma época em que ainda não existíamos.

Essa hipótese não nutre tanta simpatia da minha parte. Primeiro: por que eles viriam aqui mas deixariam de explorar nosso planeta ou sistema solar de uma forma que fosse evidente para nós hoje em dia? Segundo: uma vez que a vida chega a um lugar, o normal é que ela continue lá. A vida tem a tendência de preencher todos os lugares possíveis (falarei mais disso adiante).

c) Eles vieram aqui e estão nos observando, mas não entram em contato com a gente por algum motivo.

Essa é a famosa Hipótese do Zoológico.

d) Eles vieram e estão aqui, mas não somos capazes de perceber isso porque eles são muito mais complexos do que podemos compreender. Talvez vivam em outras dimensões ou coisas do tipo.

As hipóteses (c) e (d) são, pelo menos por enquanto, não-falseáveis.

e) Eles vieram e estão no Sistema Solar, e é só questão de tempo para descobrirmos.

Michael Papagiannis, no capítulo 12 de “Extraterrestrial: Where Are They”, sugere que procuremos por sinais de trítio no Sistema Solar, pois o trítio é um subproduto da reação de fusão nuclear de hidrogênio em hélio. Se encontrarmos uma quantidade anormal de trítio, isso pode ser um indício de que alienígenas estão enviando sondas a base de fusão nuclear para nosso sistema.

Também pode ser que encontremos evidência de civilização extraterrestre quando colonizarmos o cinturão de asteroides. Esse cinturão é rico em metais e rochas, o que faz dele um candidato natural para ser explorado por possíveis alienígenas. Talvez encontremos construções extraterrestres abandonadas quando chegarmos lá.

f) Eles não têm interesse em fazer viagens interestelares.

Os proponentes dessa hipótese geralmente indagam algo parecido como:

— Por que os extraterrestres iriam perder tempo com esse empreendimento primitivo que é colonizar outros sistemas solares se eles podem desfrutar de suas imortalidades em um gozo eterno de felicidade virtual?

Alguns proponentes dessa hipótese sugerem que todas as civilizações inteligentes irão utilizar um supercomputador que capta toda a energia da sua estrela (esse supercomputador é chamado de Cérebro de Matrioshka) para construir uma realidade virtual em que os membros dessa civilização vivam suas vidas da maneira que eles bem entenderem.

Outros podem argumentar algo como:

— Pensar que toda civilização queira colonizar outros locais é antropomorfizar a questão. É bem possível que extraterrestres sejam seres espiritualmente elevados, que não tenham a ânsia e nem a necessidade de colonizar novos lugares.

g) O Sistema Solar é desinteressante. Eles não têm interesse em colonizar esse local da galáxia.

Há um contra-argumento que, ao meu ver, é fatal tanto contra a hipótese (f) quanto contra a (g). O contra-argumento é simples: life will colonize. Pense o seguinte: os seres humanos colonizaram cada canto possível da Terra. E isso aconteceu porque, mesmo que a grande maioria dos membros de uma tribo não tivessem interesse em colonizar outros locais, a pequena parcela que tinha esse interesse acabou saindo da tribo e, bom, colonizando outros locais.

Agora estendamos essa linha de raciocínio para outras civilizações. Mesmo que a maioria dos seres de certa civilização não tenham interesse em habitar outras estrelas, alguns membros dela o terão, e eles darão um jeito de habitar essas estrelas. Se não for eles, será um grupo de membros de outra civilização ou outro grupo da mesma civilização. Pense: muitas tribos devem ter hesitado em atravessar o estreito de Bering, outras tantas tentaram mas não conseguiram, mas bastou uma tribo tomar a dianteira e realizar essa proeza que então, boom, o continente americano foi inteiramente colonizado.

99,9% dos membros de uma civilização podem muito bem querer viver apenas no seu Cérebro de Matrioshka aproveitando suas vidas, mas se 0,1% deles quiserem colonizar outros locais, bom, life will colonize. Ou ainda: 100% dos membros de quase todas as civilizações podem querer não colonizar outros locais, mas se apenas 0,1% dos membros de apenas uma civilização quiserem colonizar outros locais, novamente, life will colonize.

Tem mais: 100% dos membros de 100% das civilizações podem querer não colonizar outros locais em um determinado período de tempo. Mas pode muito bem ser que, passados mil anos, um milhão de anos ou um bilhão de anos, 0,1% dos membros de uma única civilização mudem de ideia e queiram viver em outros locais da galáxia. Adivinha o que irá acontecer? Life will colonize, mesmo em lugares supostamente pouco atraentes como o Sistema Solar e a Terra.

.

Mas se não encontramos vida inteligente extraterrestre na Terra ou no Sistema Solar, não poderíamos encontrá-la em outros locais da galáxia? Certamente que sim. Poderíamos encontrar vida inteligente extraterrestre em outros locais da galáxia mediante dois procedimentos:

(i) A captação de sinais de rádio provenientes de outras estrelas que são, incontestavelmente, provenientes de uma fonte não-natural. É esse o objetivo do projeto SETI (sigla para Search for Extraterrestrial Intelligence). Esse projeto tem radiotelescópios espalhados no mundo inteiro e busca encontrar sinais de ondas de rádio provenientes de extraterrestres. Até agora, nada foi encontrado.

(ii) A descoberta de megaestruturas tecnológicas, como a Esfera de Dyson (construção que tem como objetivo captar toda a energia da estrela).

2.2. Motivos pelos quais não encontramos sinais de civilizações em outros lugares da galáxia:

a) Nós estamos procurando com ferramentas erradas e primitivas. 

A comunicação via rádio pode ser para eles o equivalente ao que as escrituras em argila são hoje para nós.

Isso é um tanto provável, ao meu ver. Pode ser muito bem que as civilizações utilizem a comunicação via rádio apenas por um curto período de tempo, até descobrirem uma forma de comunicação mais avançada. É possível que descubramos essa forma de comunicação daqui a algum tempo, e quando a utilizarmos para nos comunicar com outras civilizações, descobriremos um universo pujante de comunicação até então oculta.

Esse tipo de descoberta única que expande nosso entendimento a respeito do universo de maneira exponencial é o que eu chamo de Efeito Hubble. Sempre houve, na história da astronomia, a discussão de se vivemos em uma única galáxia ou se existiam mais galáxias além da nossa. A visão predominante era a de que vivíamos em uma única galáxia, mas havia algumas vozes dissonantes do consenso que diziam que existiam mais de uma. Alguns sugeriam que as nebulosas que observávamos eram na verdade outras galáxias, mas que estavam muito distantes para as vermos como tal e que assim elas pareciam, aos nossos olhos, nebulosas. Então, em dezembro de 1926, Edwin Hubble publicou um paper pondo fim à questão: através de um conjunto sofisticado de técnicas, ele provou que muitas nebulosas eram, na verdade, galáxias.

A situação era a seguinte:

Número de galáxias conhecidas antes de dezembro de 1926: 1.

Número de galáxias conhecidas depois de dezembro de 1926: milhares.

Isso é o Efeito Hubble.

Pode ser que a situação seja análoga quando descobrirmos alguma tecnologia futura de comunicação. Pode ser que se tenha:

Número de civilizações conhecidas antes de janeiro de 2050: 1.

Número de civilizações conhecidas depois de janeiro de 2050: milhares.

b) É só questão de tempo até descobrirmos.

Aqui vou citar Jorge A. Quillfeldt, que escreveu o seguinte na página 310 de “Astrobiologia – Uma Ciência Emergente”:

“O espectro do rádio é extraordinariamente amplo, sendo difícil cobrir tantas frequências. O SETI, em mais de 100 projetos de escuta durante décadas, nunca conseguiu cobrir todo o espectro das ondas de rádio. A dificuldade é análoga à de se adivinhar o número do celular de alguém ao acaso em uma cidade como São Paulo: a única forma de acertar em situações como essa seria “combinar previamente” com os adversários, parodiando Garrincha na Copa de 58. Como isso não pode ser feito, a alternativa adotada foi a de escolher frequências iguais às de certas emissões naturais onipresentes e torcer para que os extraterrestres tenham a mesma ideia. A frequência mais lógica para essa prospecção seria ao redor dos 1420 MHz, que corresponde à linha de emissão de 21 cm do hidrogênio neutro, a emissão de rádio mais comum no universo, já que é o átomo mais abundante que existe. A suposição (ou esperança) é que tal fato científico seria do conhecimento de qualquer civilização tecnológica que estivesse dando seus primeiros passos na radioastronomia. Ainda seria um “chute”, claro, mas pelo menos seria um “chute informado”, e já seria um começo.

Na verdade, procurar por ETs por radioastronomia é como procurar agulha no palheiro. Se considerarmos todas as buscas já realizadas até hoje, só cobrimos 10-14 de tudo que há para se examinar, ou seja, um centésimo trilionésimo de todas as frequências, direções celestes e demais parâmetros desse descomunal palheiro cósmico. Enfim, ainda temos muito o que fazer, e estamos realmente longe de quaisquer conclusões, inclusive as negativas.

Mas a metáfora do palheiro — uma pilha tridimensional onde o desafio consiste em localizar algo muito pequeno e discreto — não termina aí. Esse palheiro incomum tem as dimensões de nossa galáxia (esqueçam o resto do universo, por enquanto), e como se não bastasse, há ainda mais parâmetros para se considerar: a Figura 14.5 (reproduzida abaixo) mostra o “espaço de buscas” dos principais projetos SETI até o ano 2000, mostrando três eixos principais: as frequências exploradas, o volume do céu e a sensibilidade do registro. Essas três dimensões são, na verdade, cinco, pois o volume escrutinado se desdobra nas três dimensões espaciais.

A Figura 14.5 deixa claro que cobrimos uma fração ínfima de todo esse “volume” possível. E ainda é preciso computar pelo menos outras quatro dimensões para apreciarmos plenamente o tamanho do desafio: o deslocamento de frequência (relacionado ao desvio Doppler-Fizeau resultante do movimento orbital do planeta de origem dos sinais), o ciclo ligado-desligado (qualquer equipamento opera assim, na prática), e os dois sentidos ortogonais de polarização circular da radiação detectada (que dá mais dois eixos que devem ser examinados separadamente para não se perder nada de relevante). Somando tudo, são nove variáveis/dimensões, o que exigiria um gráfico eneadimensional para ser representado matematicamente.”

gráfico
Figura 14.5 do livro “Astrobiologia – Uma ciência emergente”. Essa imagem representa apenas 5 dimensões (sendo que três estão condensadas em uma — a “fração do céu”). A busca radioastronômica por civilizações envolve 9 dimensões.

Ou seja, a busca radioastronômica por ETs está só começando, e pode ser apenas questão de tempo até toparmos com sinais de rádio provenientes de fontes alienígenas. Também poderemos descobrir futuramente emissões de radiação infravermelha ou outros sinais de comportamento estranho das estrelas que mostrem inequivocamente que civilizações extraterrestres construíram grandes estruturas ao redor de sua estrela. (Pequena curiosidade: em 2015 foi descoberta uma estrela — a Estrela de Tabby — extremamente incomum: sua luz diminuía em até 22% em certos períodos de tempo de forma misteriosa e aperiódica. Pensou-se que aí estava a descoberta de alguma megaestrutura tal como a Esfera de Dyson. Mas a esperança logo morreu: em 2019, concluiu-se que o comportamento atípico dessa estrela é causado por fragmentos resultantes da destruição de um satélite natural).

c) Há predadores lá fora. 

Essa hipótese se divide em duas: (i) há vários predadores, de modo que as civilizações preferem não se mostrar para as demais; (ii) há apenas um superpredador que extermina imediatamente qualquer civilização que venha a ser percebida (nesse caso é só questão de tempo até sermos destruídos).

d) É impossível construir megaestruturas como as Esferas de Dyson, por isso tais estruturas não são identificadas.

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Essas foram apenas algumas das possíveis soluções ao Paradoxo de Fermi. Centenas delas existem. Se o leitor quiser se aprofundar mais no assunto, recomendo o livro “If the Universe is Teeming with Aliens… WHERE IS EVERYBODY?”, de Stephen Webb.

Conclusão

Por fim, um relato pessoal: quando comecei a me interessar por essa questão, lendo os livros de Carl Sagan, nos idos de 2013, tinha certeza que civilizações extraterrestres existiam e que era só questão de tempo até descobrirmos elas. Com o tempo, lendo mais sobre o assunto, fui mudando de opinião. Hoje estou mais inclinado a pensar que estamos sós, se não no universo, pelo menos no nosso grupo local. O Grande Silêncio é ensurdecedor, e respostas do tipo 2, dadas no texto, não me convenceram.

Claro, ao me posicionar a favor da Hipótese da Unicidade, estou indo contra o que a sabedoria científica tem nos ensinado desde a Revolução Científica: estou indo contra o Princípio da Mediocridade. Desde Copérnico, sabemos que a Terra não é o centro do universo. Desde Darwin, sabemos que o ser humano tem ascendência comum com outros animais. Desde Hubble, sabemos que a Via Láctea não é única galáxia que existe. A ciência tem nos colocado paulatinamente em uma posição de, digamos, humildade ontológica, nos ensinando que não somos especiais em nenhum sentido.

Mas pode ser que, no fim das contas, sejamos sim especiais: talvez sejamos a única civilização no universo. Caso este seja o caso, isso traz uma responsabilidade gigantesca para nossa espécie: fomos sortudos em passar pelo Grande Filtro, seja ele qual for, então colocar a valorização da vida como um dos pilares centrais da nossa sociedade se torna algo imprescindível. Afinal, se nos extinguirmos, talvez o universo nunca mais seja capaz de dar origem a uma nova forma de vida. Precisamos valorizar não só a nossa própria espécie, mas todas as espécies do planeta. Precisamos, mais do que nunca, lidar com o nosso habitat, o Planeta Terra, com extremo zelo. Precisamos avançar nossas tecnologias de maneira cuidadosa, tateando no desconhecimento com minúcia para evitarmos catástrofes existenciais.

Com cuidado, zelo e minúcia poderemos cumprir nosso destino manifesto cósmico: colonizar o máximo possível do universo com toda forma possível de consciência.

Referências

Vídeos

Estamos sozinhos no Universo? | Nerdologia

The Fermi Paradox — Where Are All The Aliens? (1/2)

The Fermi Paradox II — Solutions and Ideas – Where Are All The Aliens?

The Great Silence

What Do Alien Civilizations Look Like? The Kardashev Scale

Why Alien Life Would be our Doom – The Great Filter

Textos e Artigos

Frank J. Tipler – Extraterrestrial Intelligent Beings do not Exist

Glen D. Brin – The ‘Great Silence’

James Annis – An Astrophysical Explanation for the Great Silence

Michael J. Crowe – A history of the extraterrestrial life debate

Milan M. Cirkovic – Fermi’s Paradox – The Last Challenge for Copernicanism

Nick Bostrom – Where Are They

Robin Hanson – The Great Filter – Are We Almost Past It?

Tim Urban – The Fermi Paradox

Verbete da Wikipédia sobre o assunto em inglês

Livros

Ben Zuckerman and Michael Hart (Org.) – Extraterrestrials – Where Are They

Isaac Asimov – Extraterrestrial Civilizations

Peter D. Ward and Donald Brownlee – Rare Earth – Why Complex Life is Uncommon in the Universe

Stephen Webb – If the Universe is Teeming with Aliens… WHERE IS EVERYBODY?

Vários Autores – Astrobiologia – Uma Ciência Emergente

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